9 de mar. de 2014

Crentes feridos estão esquecidos nas trincheiras

Por  Luís Montanini
A igreja talvez seja hoje o único exército do mundo cujos soldados não voltam para buscar seus feridos no campo de batalha.
Ao contrário, substitui-os rapidamente no batalhão e segue em frente, esquecendo-se que muitos soldados de valor ficaram à beira da morte pelas trincheiras.
Caso o último censo do IBGE tivesse incluído questão sobre o número de "desviados" no Brasil, o resultado seria assustador.
Calcula-se que hoje existam no País entre 30 milhões e 40 milhões de "desviados".
Por "desviados" entenda pessoas que um dia tiveram seus nomes no rol de membros de algum grupo cristão, mas que hoje estão à margem da vida da igreja.
Estas pessoas - cuja boa parte povoa hospícios e presídios, ou carrega saco às costas, vaga errante à beira de estradas - um dia confessaram alegremente a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor e no outro se viram literalmente jogados na sarjeta espiritual.
Nesse contingente de desviados há casos para todo tipo de pessoas. Do endurecido ao desprezado, do chafurdado na lama pelo engano do pecado ao desesperado para sair dele, mas sem ninguém para estender a mão.
É desta classe de pessoas que trata esta edição. De pessoas desesperadas por uma nova chance, mas sem ter a quem recorrer porque, sabem, o único lugar onde encontrariam novamente a paz para suas almas é a igreja, mas ali, pensam, há santos demais para admitir o retorno de um filho pródigo como ele.
Afinal, com ou sem motivo, um dia foram expulsos sumariamente. Seja porque inadvertidamente cortaram os longos cabelos ou caíram em erros considerados "sem volta" por sua igreja, como o adultério.
Foram disciplinados, escrachados, alijados da comunhão e, não raro, se excluíram ou foram excluídos. Como Satanás, foram expulsos do paraíso. Como Caim, receberam uma mancha na testa e foram condenados a andar errantes pelo mundo pelo resto de suas vidas miseráveis. O problema é que em seus casos específicos, não foi Deus o autor do juízo sumário.
Com tamanha carga sobre as costas, voltar é passo difícil, em algumas situações, impossível.
- A própria igreja discrimina os desviados - constata Sinfrônio Jardim Neto, líder do ministério Jesus não Desistiu de Você, de Belo Horizonte, dedicado à restauração da vida dos desviados.
- A igreja vê o desviado como se fosse Judas Iscariotes, que traiu a Deus e a igreja. E o trata como se fosse lixo que precisa ser retirado daquele ambiente. Mal sabe que o desviado é como o ouro de Deus que se perdeu na lama podre. “Está perdido na lama, mas ainda é ouro e precisa de gente interessada, garimpeiros que estendam a mão e vasculhem até encontrá-lo”.
Hoje a maioria das igrejas não possui qualquer trabalho específico para trazer suas ovelhas desviadas de volta ao aprisco. Ninguém pensa em deixar suas 99 ovelhas e sair atrás da centésima, extraviada.
Sinfrônio Jardim também tem explicação para esse fenômeno. Afirma que na visão expansionista de muitas igrejas hoje é pouco lucrativo deixar 99 ovelhas e sair por lugares ermos atrás de uma ovelhinha extraviada que nem sabe se está viva ou que talvez esteja tão ferida que não tenha chance de sobreviver.
- Muitos acham que não vale a pena tamanho esforço, que vão perder tempo. E, para aliviar suas consciências, usam o argumento de que a pessoa já conhece a palavra.
Outros chegam a usar versos bíblicos para justificar o esquecimento. "Saíram de nós porque não eram dos nossos..." é um dos mais recitados.
A falta de visão de restauração descrita por toda a bíblia é ignorada nesses casos.
"Buscar ovelhas perdidas é visão antipática em muitas igrejas", lembra Sinfrônio Jardim. "Isto porque quando o membro sai, geralmente sai falando mal da igreja ou do pastor.
Acaba ficando mal visto dentro da própria igreja que, em vez de amá-lo e perdoá-lo, passa a tratá-lo como ovelha negra. Desta forma, quando alguém se dispõe a ir atrás dessa ovelha perdida, torna-se também impopular e corre o risco de ser também mal visto. “E poucos estão dispostos a isto”.

Um desvio monstruoso

• Há hoje, apenas no Brasil, entre trinta e quarenta milhões de pessoas que um dia freqüentaram alguma igreja evangélica.

• Uma igreja de dez anos, que manteve média de duzentos membros, viu passar, por seu rol, o dobro desse número. Isto é, quatrocentas pessoas que passaram por essa igreja estão desviadas hoje.

• A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil. 

• Entre 60% e 70% dos desviados, estes não receberam qualquer visita de líderes ou membros quando decidiram sair da igreja.

• Entre 40% e 30% receberam de uma a três visitas, que se revelaram, na maioria das vezes, de cobrança ou condenação. 

• Hospícios e presídios são os lugares de destino de boa parte dos desviados. 

• De cada dez andarilhos, três deles freqüentaram alguma igreja um dia.

• A maioria dos desviados (acima de 50%) é afetada pelo ressentimento com sua liderança

Pensemos nisto !

Marcos Serafim Silva


Fonte :  http://www.montesiao.pro.br/estudos/evangelismo/crentesferidos.html

3 de mar. de 2014

Posso ter uma opinião diferente?




E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível.
Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão.
E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação.
Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? (Gálatas 2. 11-14) 

Paulo se opôs a Pedro porque sua conduta dava a falsa impressão de que estava renunciando à posição tomada em Jerusalém. A ação do concilio na questão do decreto abriu a porta da liberdade de intercambio social entre judeus e gentios na igreja de Antioquia, uma liberdade que Pedro aceitou com alegria. Chegou até comer com os gentios. Mas a chegada de certos homens enviados por Tiago, o reconhecido líder de Jerusalém, despertou o temor coração de Pedro, pois ele se lembrou que a igreja mãe o repreendera por se associar e comer com os gentios na casa de Cornélio. Impossível saber qual o relacionamento entre esses visitantes e Tiago, e qual precisamente foi à missão deles. Pedro afastou-se (dos irmãos gentios) gradualmente, conforme sugere o original, talvez se ausentando em uma refeição do dia, em duas no outro, e finalmente excluindo-se inteiramente.
O exemplo de Pedro influenciava os outros. O verbo influenciava dissimularam (disfarçavam), geralmente traduzido para hipocrisia, significa uma falta de correspondência entre os atos externos ou o comportamento e o estado do coração.
No farisaísmo os atos externos eram bons, mas o estado do coração era geralmente corrupto. No caso de Pedro, suas convicções internas eram perfeitas, pois ele endossava a igualdade dos judeus na Igreja, mas sua conduta não correspondia as suas convicções. Eis aqui uma observação melancólica – ao ponto de o próprio Barnabé, como se Paulo esperasse mais dele do que dos outros crentes judeus.                      
Cefas (Pedro), que tinha experimentado a liberdade que há em Cristo depois da visão de Atos 10.10-35, começou a comer com os gentios em Antioquia. Quando vieram os judaizantes de Jerusalém, Pedro, hipocritamente deixou de seguir o principio dado pelo próprio Deus. Será que devemos aceitar este apostolo mais do que qualquer outro com infalível?!sendo, como afirmam alguns, o primeiro papa?

Onde quero chegar?

Vez por outra sou questionado sobre ser contrario a liderança e as normas e doutrina de minha denominação (Assembleia de Deus), posso ter uma opinião diferente em alguns pontos; minha idéia pode ser diferente; mas, não sou contrario a nenhuma delas.
Paulo pertencia à mesma comunidade que Pedro, nem por isso deixou de questioná-lo por sua conduta; houve repreensão, até porque ninguém é irrepreensível.
Não acredito que discordar da opinião de um colega signifique, necessariamente, estar contra ele ou reclamando da sua posição e do que já está sendo feito na organização. Entendo que a expressão de opiniões contrárias pode ajudar muito para aprimorar idéias e processos. Também pode instigar as pessoas a pensarem juntas e compartilharem informações que possibilitarão a construção coletiva do conhecimento e a aprendizagem organizacional.
Os bereianos liam, ouviam e guardavam a Palavra por isto eram bem-aventurados. Examinavam a cada dia as Escrituras e conferiam a doutrina ensinada por Paulo com as Escrituras. O verbo examinar era usado na lei pelos advogados para ver se um processo podia ou não ser sustentado por um tribunal, e assim os Bereianos examinavam as Escrituras para confirmar o que estava sendo ensinado.
A Igreja de Beréia deve ser uma referência nesta época de “Babel” teológica. Não devemos ser “céticos”, não crendo em nada, e nem “crédulos”, crendo em tudo. Devemos ter a Bíblia em nossas mãos e em nossos corações verificando tudo que chega aos nossos ouvidos para se verificar a coerência ou não com as Escrituras. 
Ser educado é uma questão de decoro, discordo de argumentos e pontos de vista, não de pessoas. Meu debate é na dimensão técnica, concreta e factual. Não gosto de extrapolar  para ofensas, ironias ou acusações porque sei que não chegará a um fim proveitoso para nenhuma das partes envolvidas.

Termino com uma fala de Martinho Lutero que diz: “Todo ensinamento contrário às Sagradas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres.”



No Calvário , a maior expressão do amor de Deus

Marcos Serafim Silva

Consultas:
www.minhacarreira.com
http://preberjamil.wordpress.com/

 Bíblia Shedd