23 de out de 2016

Perolas em João 3.16

Por Marcos Serafim Silva

Introdução 
Indubitavelmente este versículo é o mais conhecido e citado de toda a Escritura, considerado como o Texto Áureo da bíblia.
Lutero chamou-o de evangelho cm miniatura; Arthur John Gossip belamente (in loc.): Na Palavra de Deus em sua inteireza, deve haver poucos trechos, se algum, que tenham atraído tão irresistivelmente a tantos como o vs. 16.   
O mundo sofre com veneno do pecado, e "o salário do pecado é a morte" (Rm6.23). Deus não enviou seu Filho para morrer somente por Israel , mas pelo mundo inteiro. De que maneira alguém nasce lá do alto? De que maneira é salvo da morte eterna? Crendo em Jesus e voltando os olhos para ele pela fé.      

1-  Ágape - O amor incondicional de Deus – 
Porque Deus amou o mundo de tal maneira

O versículo primeiramente apresenta o fofo de Deus, Deus, sendo um ser inteligente, tem consciência da existência deste mundo e ama a todos os homens que nele habitam. De alguma maneira, posto que indefinida, exceto conforme entendemos as pessoas. Deus possui qualidades emocionais. 
Deus amou o mundo de tal maneira. Aqui, novamente, está a ideia do alcance universal. O evangelho é para todos os homens. Nenhum deles está excluído. 
O tempo aoristo do verbo indica que o ato de amor de Deus não é limitado pelo tempo e simultaneamente é único e completo. E o amor absoluto!
Desde o primórdio, na criação do homem Deus manifestou seu imensurável amor.
A bíblia diz: - “e disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra”.
E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gênesis 1:26,27).
A Bíblia é clara quanto à criação do homem, criou-o a sua imagem, conforme sua semelhança, não há nenhuma possibilidade de Deus ter usado o espirito dos anjos, a alma dos animais e a terra dos animais, como afirmou certo orador brasileiro, até porque Deus não necessita deste subterfúgio para criação.  O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, duas palavras para expressar a mesma coisa, tornando-as mais expressivas. Imagem e semelhança denotam a imagem mais parecida, a semelhança mais próxima de qualquer das criaturas visíveis. O homem não foi feito à semelhança de nenhuma criatura que veio antes dele, mas à semelhança de seu Criador.   
A origem humilde, e apesar disto, a curiosa estrutura do corpo do homem. A matéria era desprezível. Ele foi criado do pó da terra, uma coisa muito improvável da qual criar um homem. Mas o mesmo poder infinito que criou o mundo do nada, criou o homem, a sua obra prima, a partir de quase nada. Ele foi criado do pó, da poeira, como a que há na superfície da terra. Provavelmente, não pó seco, mas pó umedecido com o vapor que subia, v. 6. Ele não foi criado de pó de ouro, de pó de pérola, nem de pó de diamante, mas de pó comum, pó da terra. Aqui está escrito que ele é terreno, choikos - empoeirado, 1 Coríntios 15.47. E nós também somos terrenos, pois somos a sua descendência, e temos o mesmo molde. Tão próxima é a afinidade que existe entre a terra e os nossos pais terrenos, que o útero da nossa mãe, de onde nascemos, é chamado de terra (SI 139.15), e a terra, na qual devemos ser sepultados, é chamada de ventre da nossa mãe, Jó 1.21. Nosso fundamento está no pó, Jó 4.19. O material de que somos formados é terreno, e o seu molde é como o de um vaso terreno, Jó 10.9. Nosso alimento procede da terra, Jó 28.5. A nossa familiaridade está com a terra, Jó 17.14. Nossos pais estão na terra, e a nossa própria tendência final é caminhar rumo a ela. E, então, o que temos em nós mesmos de que poderíamos nos orgulhar? Ainda assim o Criador é grande, e a fabricação, magnífica. 
Mas este dia teria a coroação do ato criativo. A deidade, em deliberação, disse: Façamos o homem (26). Esta criatura tinha de ser diferente. Deus disse que o homem tinha de ser feito à nossa imagem, tendo certa semelhança com a realidade, mas carecendo de plenitude. O homem devia ser conforme a nossa semelhança, tendo similitude geral com Deus, mas não sendo uma duplicata exata. Não era para ele ser um pequeno Deus, mas definitivamente tinha de estar relacionado com Deus e ser o portador das características distintivas espirituais que o marcam exclusivamente como ser superior aos animais.
Em 1.26-30, encontramos “O Homem Feito à Imagem de Deus”. Um ser espiritual apto para a imortalidade, um ser moral que tem a semelhança de Deus, 27; um ser intelectual com a capacidade da razão e de governo, 26c, 28-30 (G. B. Williamson).
Uma das marcas da imagem de Deus foi Ele ter dado ao homem o status e o poder de governante. O direito de o homem dominar ressalta o fato de que Deus o equipou para agir como governante. A aptidão para governar implica em capacidade intelectual adequada para argumentar, organizar, planejar e avaliar. A aptidão para governar implica em capacidade emocional adequada para desejar o mais alto bem-estar dos súditos, apreciar e honrar o que é bom, verdadeiro e bonito, repugnar e repudiar o que é cruel, falso e feio, ter profunda preocupação pelo bem-estar de toda a natureza e amar a Deus que o criou. A aptidão para governar implica em capacidade volitiva adequada para escolher fazer a toda hora o que é certo, obedecer ao mandamento de Deus indiscutivelmente e sem demora, entregar alegremente todos os poderes a Deus em adoração jovial e participar em uma comunhão saudável com a natureza e Deus.
Deus criou o homem para ser uma pessoa que tivesse autoconsciência, autodeterminação e santidade interior (Ec 7.29; Ef 4.24; Cl 3.10). A imagem foi distribuída sem distinção de macho e fêmea, tornando-os iguais diante de Deus.
Bernardo de Claraval, místico e reformador do século XII diz sobre o amor a Deus: Que no início o homem ama a si mesmo em benefício próprio. Tal é a carne, que só sabe apreciar a si mesma. Depois ele percebe que não pode existir sozinho, e assim pela fé começa a procurar a Deus e amá-lo como algo necessário para seu bem-estar. Este é o segundo degrau, amar a Deus não por causa de Deus, mas por egoísmo. Porém, depois que ele aprende a adorar a Deus e ao procura-lo de forma correta, meditando sobre ele, lendo a sua Palavra, orando e observando seus mandamentos, ele aos poucos passa a descobrir quem é Deus, e o acha completamente amável. Assim, havendo provado e visto quão graciosos é o Senhor, ele avança para o terceiro degrau, quando ele ama a Deus, não simplesmente como seu benfeitor, mas como Deus mesmo. Com certeza esse é o estágio mais demorado de quem está conhecendo a Deus. Quanto ao quarto estagio, não sei se seria possível progredir mais nesta vida na direção desse estágio e de uma condição perfeita em que o homem ama a si mesmo pelo amor a Deus.
Deus demonstrou seu amor para com os homens, mulheres, crianças; aos reis, sacerdotes; a todos indubitavelmente.
O clímax do amor de Deus revelou-se através de seu Filho, porque Deus amou o mundo de tal maneira, doando-lhe a humanidade para morrer em morte de cruz, como resgate de todo aquele que n’Ele crê.  

2- Doação 
(...) que deu o seu Filho unigênito.

Essa frase descreve a profundeza do amor de Deus. Sua maior expressão, o seu Filho bem- amado, O -Logos- eterno, o verdadeiro caráter do amor consiste em dar-se perenemente essa relação sem-par e aqui usada a fim de salientar ainda mais a ideia do amor de Deus, que deu o seu Filho unigênito para a redenção do homem. Emanuel Kant alicerçava a crença em Deus e na imortalidade da alma sobre a necessidade universal (porquanto a razão assim nos ensina) da recompensa e do juízo.
A grandeza do amor de Deus para com os homens deu-se através da doação de seu Filho. No evangelho de João 1.14, vemos a imensidão da doação para com um mundo caído “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”.  
O termo aqui traduzido como se fez na verdade significa “tornou-se”; portanto, ele descreve com exatidão a entrada de Jesus na história. 
 Falando ao mundo grego de seus dias, João disse nos melhores termos possíveis que “o Logos da filosofia é o Jesus da história”. Além disso, os gnósticos docéticos daquela época afirmavam que não houve uma encarnação real — pensavam que o corpo de Jesus fosse apenas uma “semelhança”. Para eles, Cristo era, no máximo, uma teofania — uma aparição de Deus em forma humana. Alegavam que o Verbo nunca se tornou carne, realmente. Em oposição, João fez uma declaração simples, direta e poderosa: O Verbo se fez carne. 
Ele habitou entre nós. A temporalidade da Encarnação é mostrada na figura de uma tenda para habitação temporária. João escreveu literalmente: “O Verbo levantou um tabernáculo ou uma tenda entre nós”. A historicidade da Encarnação é certificada no lugar da habitação — entre nós.
Ele “habitou entre nós”, aqui, neste mundo inferior. Tendo assumido a natureza de homem, Ele colocou- se no lugar e na condição de outros homens. O Verbo poderia ter-se feito carne, e habitado entre os anjos. Mas, tendo tomado um corpo do mesmo molde que nós, nele Ele veio, e habitou no mesmo mundo que nós. Ele habitou entre nós; nós, vermes da terra; nós, de quem Ele não precisava; nós, que éramos corruptos e depravados, e revoltados contra Deus. O Senhor Deus veio e habitou até entre os rebeldes.
Ele habitou entre nós. Ele estava no mundo, não como um viajante que fica apenas por uma noite, mas Ele habitou entre nós, teve uma longa estada, a expressão original é notável, eskenosen en hemin - Ele residiu entre nós, como em um tabernáculo, o que sugere, em primeiro lugar, que Ele habitou aqui em circunstâncias muito humildes, como pastores que habitam em tendas. Ele não habitou entre nós como em um palácio, mas como em uma tenda, pois Ele não tinha onde reclinar a cabeça, e estava sempre se deslocando de um lugar para outro. O Verbo encarnado estava de todas as maneiras, qualificado para sua missão de Mediador, pois Ele estava “cheio de graça e de verdade”, as duas grandes coisas de que os homens caídos necessitam. E isto evidenciava que Ele era o Pilho de Deus, tanto quanto o divino poder e a divina majestade que se apresentavam nele. Em primeiro lugar, Ele tinha a plenitude de graça e da verdade para si mesmo. Ele tinha o Espírito sem medida. Ele era cheio de graça, completamente aceitável ao seu Pai, e, portanto, qualificado para interceder por nós; e cheio de verdade, completamente informado das coisas que Ele deveria revelar, e, portanto, adequado para nos instruir. Ele tinha uma plenitude de conhecimento e uma plenitude de compaixão. Em segundo lugar, Ele tinha a plenitude de graça e verdade para nós. Ele recebeu, para que pudesse dar, e Deus se comprazia nele, para que pudesse comprazer-se conosco, nele. E esta era a verdade da tipologia utilizada pelo Senhor. 
O apostolo Paulo ao escrever a epistola aos Filipenses revelou-nos a grandeza dessa doação, o Deus que veio habitar entre os homens esvaziando de toda sua gloria, Ele em completa devoção.
O texto diz; “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”. (Filipenses 2:7,8)
Ele realmente se tornou homem, participou da nossa carne e sangue, apareceu com a natureza humana e assumiu essa natureza voluntariamente; foi seu próprio ato e por seu próprio consentimento. Não podemos dizer que a nossa participação na natureza humana é assim. Ele, na verdade, “... aniquilou-se a si mesmo”, esvaziou-se das honras e glórias do mundo acima e da sua aparência anterior, para vestir-se com os trapos da natureza humana. Ele foi, em tudo, semelhante a nós.
Fazendo-se semelhante aos homens pode ser traduzido por “ele se tornou [tgenomenos] como os homens” (plural; cf. BV, NTLH). A referência é à humanidade de Jesus, que teve um começo no tempo e deve ser considerada no sentido de Gálatas 4.4: “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher”. 
Donald Baillie destacou : “A igreja nunca ensinou que o elemento humano em Jesus, sua humanidade, é consubstanciai ou co-eterno com Deus, mas que é consubstanciai conosco e pertence à ordem das coisas criadas”. O termo grego homoiomati (semelhança) não dá margem a considerarmos algo menos que homem. A humanidade de Cristo não era mera máscara ou disfarce. Ele era “realmente como os homens, da mesma forma que era verdadeiramente homem”; mas “era também mais que homem, diferente dos homens, sem cujo fato não seria semelhança, mas mera identidade”.Jesus Cristo era verdadeiramente homem, mas nele e por ele veio a revelação de Deus. Isto o torna único e distinto do homem
— ele é “verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus”. O único modo de Paulo expressar esta verdade é falar da semelhança de Jesus com os homens.
Humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte . O texto não declara explicitamente a quem foi prestada obediência. A frase até à morte significa “até à importância da morte”. Contudo, Cristo se sujeitou à morte “para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo, e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Hb 2.14,15). Devemos enfatizar que os atos de Cristo de auto - humilhação e obediência até à morte foram voluntários — de si mesmo ele depôs a vida (Jo 10.17,18) —, ao mesmo tempo em que tais atos estavam de acordo com a vontade do Pai. A morte de cruz fala do clímax da humilhação própria de Cristo, pois era a maneira mais infame de morte conhecida nos dias de Paulo. A lei de Moisés proferira uma maldição contra ela (Dt 21.23), e os gentios a reservavam para seus mais odiados inimigos e criminosos comuns. Assim, associada à cruz estava à vergonha mais intensa (Hb 12.2). Mas por sua obediência até à morte e morte de cruz, Cristo “aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção, pelo evangelho” (1 Tm 1.10). Por conseguinte, “a cruz de Cristo se tornou sua coroa de glória”(cf. Rm 5.19).
Sua doação atingiu, atinge e atingirá a todos quantos a Ele se chegar, através da cruz Jesus doou-se para a humanidade perdida e que hoje “sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira”, somos participantes com Ele através de sua doação inigualável e eterna – Deus deu seu filho Unigênito.    

3- Reconciliação – 
(...) para que todo aquele que nele crê. 

A palavra reconciliação (do latim reconciliato) significa reatamento de relações entre partes litigantes. O Senhor Jesus com sua morte vicária, reconciliou-nos com Deus de maneira definitiva, clara e eficiente.   
Aqui é descrita em sua grandeza, porquanto por intermédio do homem Jesus é que vem a experiência da regeneração e todos os seus benefícios se originam naquilo  que Cristo  realizou.
Ele veio para que o mundo fosse salvo por Ele, para que uma porta para a salvação pudesse ser aberta ao mundo, e quem desejasse pudesse passar por ela. Deus estava
em Cristo “reconciliando consigo o mundo”, e, desta maneira, salvando-o. Uma declaração de anistia é aprovada e publicada, por meio de Cristo uma lei reparadora é feita, e o mundo da humanidade é tratado, não de acordo com os rigores do primeiro concerto, mas de acordo com as riquezas do segundo, para que o mundo fosse salvo por Ele, pois ele nunca poderia ser salvo, senão por Ele. Não existe salvação em ninguém mais. O fato de que Cristo, nosso Juiz, veio não para condenar, mas para salvar, são boas novas para uma consciência condenada, a cura para os ossos quebrados e as feridas ensanguentadas.
Todo aquele que crê é uma expressão que se refere ao evangelho universal, ou seja, às Boas Novas para todos os homens. Não existem barreiras de nação, de raça ou de tempo. O sacrifício perfeito foi realizado. O homem deve reagir, deve ter fé. O texto grego usa a preposição eis — que significa “em”, “dentro”, “para dentro” — com o verbo crer. Uma tradução literal seria “todo aquele que deposita a sua fé nele”. A fé é a resposta perfeita do homem ao chamado e à reivindicação de Deus a seu respeito.
Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida! (Romanos 5:10)
“Reconciliados com Deus pela morte de seu Filho”; o pecado é perdoado, o pecador é aceito como justo, a rixa acaba , a inimizade termina, a iniquidade tem um fim e uma retidão perpetua é produzida.
Isso foi feito, ou seja, Cristo cumpriu todas as condições lhe cabiam com relação a isso, e, imediatamente somos verdadeiramente inseridos no estado de justificação e reconciliação.
Alcançar a reconciliação é: Consentir na reconciliação, aceitar e concordar com aqueles métodos que a Infinita Sabedoria adotou para salvar um mundo culpado, através do sangue de um Jesus crucificado, estando disposto e feliz em ser salvo à maneira do evangelho e sob seus termos. Ser confortado pela expiação, a qual é a fonte e o fundamento de nosso gloriar-se em Deus.
Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. Aqui fica explicitamente claro que este argumento da reconciliação à salvação se baseia logicamente no fato de que Cristo não somente morreu, mas também ressuscitou. A nossa frente está à salvação e - como compartilhamos a sua morte, também devemos agora compartilhar a sua vida, com Ele - não podemos fazer nada, exceto nos alegrarmos muito nesta preciosa salvação. Salvos pela sua vida indica a salvação no sentido completo e final - o sentido final que, com a justificação, assume a restauração da santidade. A mediação pela sua vida completa o que se iniciou pelo seu sangue e nos assegura a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Desta maneira, a justificação se distingue da santificação, e na verdade é a porta de entrada para ela; a justificação se baseia na morte de seu Filho. A santificação flui da vida de Cristo pela obra do Espírito Santo Paulo conclui e não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus (Wesley: Ou “nos alegramos em Deus”) (...) pelo qual agora alcançamos a reconciliação (katallagen, “reconciliação”). A vida ressuscitada de Cristo sela a nossa justificação que foi efetivada pela sua morte. E porque Ele vive, esta paz, a nossa reconciliação, e o derramamento do amor de Deus nos nossos corações, marcam um ponto em nossa jornada além do qual não existe retorno, e a partir do qual só existe um futuro para nós, e no qual nós só podemos nos gloriar.

4- Galardão – 
(...) não pereça, mas tenha a vida eterna

Depois do ágape – amor incondicional , Deus doou seu Filho Unigênito , nos reconciliando através da cruz por seu sangue , mesmo que, não merecendo Ele nos promete galardão , uma vida eterna com Ele.
O evangelista João descreve com minúcia a fala de Jesus no capitulo 14.1 a 3 e sua promessa de uma vida eterna com Ele. Jesus disse: Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.
E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.
Qualquer que seja o simbolismo particular por detrás dessas palavras parece perfeitamente certo que a ideia judaica da multiplicidade das habitações celestiais é aqui subentendida. Comumente, os Judeus falavam em sete céus, cada um dos quais indicaria uma região distinta, bem como graus diversos de glória e recompensa. (Ver Talmude Bub. Bava Baihra, foi. 75.2; Nishmat Chayim. foi. 32.2; Midrash Tallim em Galatin 1.12. cap.6). O número sete é o número da perfeição, e assim temos os céus de Deus referidos como algo completo e perfeito. Essa ideia aparece refletida nas páginas do N.T., onde o apóstolo Paulo fala no terceiro céu, e também onde fala nos lugares celestiais. O trono estabelecido nos céus; a herança dos crentes que lhes está reservada nos céus. O trono de Deus ficaria na parte central, ou pináculo da glória celeste; mas isso não significaria que não existem outros céus, habitações ou regiões. Tholuck (in loc.) observa: Na multiplicidade das moradas (no grego, monai).
O lugar que Ele nos está preparando está nos lugares celestiais, mas é um lugar especial para nós, os eleitos.
É o mais exaltado dos lugares, pois ali homens transformados chegarão a participar de sua imagem e natureza, passando de um estágio de glória para outro, pelo poder do Espirito.  Ali é que os homens compartilharão da natureza e dos atributos divinos, pois ele sempre irá expandindo os limites de sua habitação, pois são o seu templo.
Não se turbe o vosso coração (14.1). Então, como para defender a fé tardia em todos os seus ouvintes, Ele deu dois grandes imperativos, ambos no plural: “Tenham fé em Deus, e tenham fé em mim” 
O que está preparado para aqueles que têm fé? Na casa de meu Pai há muitas moradas (recintos) (2).41 Westcott observa que a palavra “moradas” vem da Vulgata, mansiones, “que eram lugares de descanso, e especialmente as ‘estalagens’ em uma grande estrada onde os viajantes encontravam repouso”, sugerindo a ideia tanto de repouso como de progresso. Bernard diz que estes são “lugares de habitação”, não estalagens meramente temporárias em uma jornada. No entanto, o fato de ser a casa do Pai já diz o suficiente. “O lar de Deus, o antítipo eterno do Templo transitório em Jerusalém e da habitação do Pai e do Filho no crente, é espaçoso e tem muitos cômodos”. Com base na evidência de um excelente manuscrito, a versão RSV em inglês — juntamente com Strachan, Bauer, Bernard e Moffatt — traduz a parte restante do versículo 2 como uma pergunta: “Se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, vou preparar- vos lugar?” A objeção a isto é que “em nenhuma passagem no Evangelho Jesus disse que Ele irá ‘preparar lugar”’.
A promessa aos seus discípulos foi: virei outra vez (lit. “estarei vindo novamente”). A principal referência é à segunda vinda. Mas ela também sugere um outro pensamento: “Cristo está, desde o momento de sua ressurreição, vindo para o mundo, para a igreja e para os homens como o Senhor ressurreto”
Aqui está uma instrução especial para crer na promessa da vida eterna. Jesus os tinha orientado a confiar em Deus, e a confiar nele. Mas para que deveriam eles confiar em Deus e em Cristo? Confiar neles para uma felicidade futura, quando este corpo e este mundo não mais existirem, e para uma felicidade que durará tanto quanto a alma imortal e o mundo eterno durarão. Isto é proposto como um estímulo àqueles que estão sob todas as dificuldades desta época atual, às quais a felicidade do céu é, de maneira admirável, adaptada e adequada. Nas suas mais difíceis situações, os santos se encorajaram com o fato de que o céu compensará a todos. Vejamos como isto é sugerido aqui. Crer e considerar que realmente existe uma felicidade como esta: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito”.
Veja sob que conceito a felicidade do céu é aqui representada: como moradas, muitas moradas na casa do Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. O céu é uma morada, não é uma tenda nem um tabernáculo. E uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. É a casa de um Pai: a “casa de meu Pai”. E seu Pai é nosso Pai, ao qual agora Ele iria ascender, de modo que através do direito de seu irmão mais velho, todos os verdadeiros crentes serão bem-vindos a esta felicidade, como à sua casa. E a casa daquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, que reside na luz e habita na eternidade.
Ali há moradas, isto é, em primeiro lugar, moradas distintas, uma morada para cada pessoa. Talvez aqui haja uma alusão aos aposentos dos sacerdotes que havia no Templo. No céu, há acomodações para santos particulares. Embora todos sejamos unidos a Deus, ainda assim nossa individualidade não se perderá ali. Cada israelita tinha sua parte em Canaã, e cada ancião, um trono. 
Em segundo lugar, moradas duradouras. Monai, de mneio, maneo, moradas permanentes. A própria morada é duradoura. Nossa propriedade nela não é por um período limitado, por um período de alguns anos, mas por toda a eternidade. Aqui nós vivemos como se estivéssemos em uma hospedaria. No céu, nós seremos estabelecidos. Os discípulos tinham abandonado suas casas para acompanhar a Cristo, que não tinha onde reclinar a cabeça, mas as moradas no céu irão lhes compensar isto. Há muitas moradas, pois há muitos filhos para serem levados à glória, e Cristo conhece com exatidão seu número, e eles não serão confinados pela chegada de um grupo maior do que Ele espera. Ele tinha dito a Pedro que ele o seguiria, mas que os demais não se sintam desencorajados, no céu há moradas para todos. 

n'Ele 
Marcos Serafim Silva 
 
Bibliografias:
Russell Norman Champlin, Ph. D.
Dicionário – Andrade , Claudionor Corrêa de – 1. Ed. – Rio de Janeiro : Casa Publicadora das Assembleias de Deus.
Matthew Henry’s Commentary on the whole Bible - Volume I - Genesis to Deuteronomy. Domínio público.
Beacon Bible Commentary 10 Volume Set - Copyright © 1969. Publicado pela Beacon Hill Press of Kansas City, uma divisão da Nazarene Publishing House, Kansas City, Missouri 64109, EUA.

16 de jul de 2016

Verdades do Evangelho



Verdades do Evangelho

Introdução – Definindo a palavra Evangelho  

Evangelho uma palavra usada somente no NT para denotar a mensagem de Cristo.
O termo gr. evangelion, significando “boas novas”, tomou-se um termo técnico para a mensagem essencial da salvação. Ela é modificada por várias frases descritivas, tais  como, “o evangelho de Deus” (Mc 1.14; Rm 15.16), “o evangelho de Jesus Cristo* (Mc 1.1; 1 Co 9.12), “o evangelho de seu Filho” (Rm 1.9), “o evangelho do Reino” (Mt 4.23; 9.35;24.14), “o evangelho da graça de Deus” (At 20.24), “o evangelho da glória de Cristo” (2 Co 4.4), “o evangelho da paz” (Ef6.15), “evangelho eterno” (Ap 14.6). Embora aspectos instintos da mensagem sejam indicados por vários modificadores, o Evangelho é essencialmente um. Paulo fala de “um outro evangelho" que não é um equivalente, pois o Evangelho de Deus é sua revelação, e não o resultado da descoberta (GAL.6-11). O conteúdo do Evangelho é claramente definido no NT. E a mensagem proclamada e aceita da igreja cristã, pois foi recebida por todos os crentes, defendida por seu raciocínio, e constitui uma parte vital de sua experiência.
É histórica em seu conteúdo, bíblica em seu significado, e transformadora em seu efeito. “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras... foi sepultado, e... ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras... foi visto por Cefas...”, são as palavras descritivas de Paulo (1 Co 15.1-6).
O Evangelho não é uma adição imprecisa de lendas antigas a respeito de Jesus, mas um conjunto bem organizado de ensinos sobre sua vida e seu significado, pregado por líderes da igreja primitiva na primeira geração após sua morte. Embora Ele não estivesse reduzido a uma formulação “catequética”, era suficientemente uniforme para ser refletido nos escritos de Mateus, Marcos e Lucas, agora chamados de Evangelhos Sinóticos.
Uma forma diferente da mesma pregação aparece no Evangelho de João. Por causa da qualidade e conteúdo únicos da mensagem, os escritos que o formam foram chamados de “Evangelhos”. É provável, porém, que o uso técnico deste termo não apareça nas passagens narrativas do NT. Quando ele é usado, refere-se, invariavelmente, ao conteúdo ao invés do veículo; a aplicação do termo “Evangelho” à obra escrita é posterior ao século I d.C.
A verdade central do Evangelho é que Deus forneceu um modo de salvação para os homens ao dar seu Filho para o mundo. Ele sofreu como um sacrifício pelo pecado, venceu a morte, e agora oferece a oportunidade de compartilharmos seu triunfo; esta bênção está disponível a todos aqueles que o aceitarem. O Evangelho é uma boa nova porque  é uma dádiva de Deus, e não algo que deva ser ganho por penitência ou por meio de alguma melhoria pessoal (Jo 3.16; Rm 5.811; 2 Co 5.14-19; Tt 2.11-14). O Evangelho apresenta Cristo como o mediador entre Deus e os homens, que foi ordenado por Deus para trazer uma humanidade desviada e pecadora de volta a si.

Evangelho (A Palavra)

Une da palavra:
1. No grego mais antigo, em Homero, significa recompensa por trazer boas novas 
2. No Antigo Testamento há dois usos: novas propriamente ditas, e o sentido de n° 1 do grego antigo.
3. Termo técnico para «boas novas de vitória». 
4. No culto imperial, era usadas para designar as proclamações do imperador divino, proclamações de boas novas que davam vida ou salvação ao povo.
5. No grego mais antigo e posteriormente, significava «sacrifício oferecido por causa das boas novas». 
6. Na Septuaginta e em outras obras de um grego mais recente, significava as próprias «boas novas» (II Reis 18:20,22,25).
7. Novo Testamento, as boas novas falam do reino de Deus, da mensagem de Deus aos homens, do perdão de pecados, da esperança. Nos escritos de Paulo o termo significa boas novas, especialmente em relação às igrejas; o plano de Deus para a igreja, o destino e grande privilégio da mesma, incluindo os meios de salvação, o perdão de pecados, a justificação etc., como elementos que são incorporados nas boas novas.
8. Título dos Evangelhos. O termo Evangelho para designar cada um dos Quatro Evangelhos começou nos escritos dos pais apostólicos. Os próprios Evangelhos não têm este uso.
De modo geral, pode-se afirmar que a palavra tem atravessado três épocas no decorrer da história:
1. Nos antigos autores gregos: recompensa por trazer boas novas.
2. Na Septuaginta e outras obras: as próprias boas novas.
3. No Novo Testamento: as boas novas de Cristo, ou então os livros que apresentam as boas novas sobre Jesus. A palavra «evangelho», como titulo do livro de Mateus, não foi usada pelo seu autor com esse sentido especifico, referindo-se ao livro em si, mas muitos autores posteriores têm usado a palavra dessa forma.

1- O Evangelho é único 
O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo.
Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.(Gálatas 1:7-9)

 Num nítido jogo de palavras em grego, Paulo declara ironicamente que eles se voltaram para outro (heteros) evangelho, o qual não é outro (allos,). Seus oponentes diziam que o que ensinavam era um evangelho, querendo dizer logicamente que era superior ao que Paulo pregara. Por um momento, o apóstolo aceita a afirmação. Mas diz que o que pregam é heteros evangelho — “de tipo diferente”. Não é um evangelho allos — “do mesmo tipo”. Em seguida, Paulo ressalta as razões específicas por que não era outro evangelho do tipo que tinham recebido; na realidade, não era evangelho coisa alguma. O verdadeiro evangelho é “boas-novas” — especificamente as boas-novas de salvação. Os oponentes de Paulo os inquietavam (tarasso).  A intenção era agitar, perturbar e desestabilizar os gálatas. Ao inquietar estes novos-convertidos, eles queriam transtornar (metastrepho, lit., “arruinar”) o evangelho de Cristo. O que ensinavam não era absolutamente evangelho, mas tentativa velada de destruir o evangelho de Cristo que é as “boas-novas” de que, por Cristo, há libertação deste século mau (cf. 4). Como Paulo argumentará depois com mais detalhes, o resultado dessa mensagem era só escravidão e servidão em contraste com a libertação e liberdade que os gálatas encontraram mediante a graça, pela fé. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema (8). Paulo estava tão convencido de que não havia outro evangelho que invocou a maldição de Deus sobre si mesmo — ou até sobre os anjos do céu —, caso eles “pregassem um evangelho diferente (gr., para) daquele que vos pregamos”(cf. BJ, CH). Estas palavras não eram um discurso inconsequente ou mera retórica. A pessoa da herança e educação de Paulo teria profundo respeito por votos solenes e maldições. Ser anátema (cf. “amaldiçoado”, NTLH; “maldito”, BAB; cf. CH) era fatal. A natureza séria do erro promulgado entre os gálatas é destacada por tal declaração. Paulo os avisara deste erro, talvez na primeira vez que lhes pregara. Por isso, os lembra: Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo . O contraste entre agora... vo-lo digo e já vo-lo dissemos torna bastante certo que ele não estava se referindo ao versículo anterior.
Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. O versículo 9 difere do versículo 8 no ponto em que é usado o pronome indefinido “alguém” no lugar do sujeito — Paulo ou um anjo. No versículo 8, a possibilidade é mais remota — “se nós” —, ao passo que neste versículo a construção gramatical sugere que tal possibilidade está acontecendo — “se alguém está”. E indiscutível que Paulo está se referindo ao que estava sendo feito na Galácia. Inicialmente, ele se usara como mera ilustração hipotética.
Em nossos dias de tolerância crescente na religião, a denúncia dogmática de Paulo soa um tanto quanto descabida. Claro que há o respeito pela crença dos outros e apoiamos a garantia de que ninguém sofra perseguição religiosa. Mas isto não significa que todos os caminhos levam a Deus. A oposição de Paulo não era um sectarismo estreito; era a preocupação sobre o meio fundamental de salvação. Ele estava convencido de que o curso que os gálatas estavam tomando os conduziria à escravidão espiritual — e quem saberia melhor que ele, que tinha vivido sob a lei? Só lhe resta condenar tal teologia — terminantemente. O seu Mestre não advertira que ele viera trazer espada (cf. Mt 10.34)? Nestes dias em que vivemos precisamos ouvir esta voz de certeza e convicção, bem como da verdadeira tolerância.


2- O Evangelho é abrangente 
E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. (Marcos 16:15) 

A incumbência que o Senhor Jesus lhes deu de estabelecerem o seu reino entre os homens, por meio da pregação do seu Evangelho, as boas-novas da reconciliação com Deus, por meio de um Mediador. 
A quem eles deveriam pregar o Evangelho. Até aqui, eles tinham sido enviados somente às ovelhas perdidas da casa de Israel, e estavam proibidos de ir pelo caminho das gentes (gentios), ou de entrar em qualquer cidade dos samaritanos (Mt 10.5). Mas agora, a comissão deles é ampliada, e eles têm autorização para ir a todo o mundo, a todas as partes do mundo, do mundo habitável, e pregar o Evangelho de Jesus Cristo toda criatura, tanto aos gentios como aos judeus; a toda criatura humana que seja capaz de recebê-lo. “Informem- lhes a respeito de Jesus Cristo, da história da sua vida, morte, e ressurreição; instruam-nos sobre o significado e o objetivo dessas coisas, e sobre os benefícios que os filhos dos homens têm, ou podem ter, através delas. E convidem-nos, sem exceção, a vir e compartilhar esses benefícios. Isto é o Evangelho. Que ele seja pregado em todos os lugares, a todas as pessoas”. Esses  onze homens não podiam pregar pessoalmente o Evangelho a todo o mundo, e muito menos a toda criatura que houvesse nele; mas eles, e os outros discípulos, que eram setenta, com aqueles que posteriormente se juntariam a eles, deveriam se dispersar em diversas direções, e, para onde quer que fossem, deveriam levar consigo o Evangelho. Eles deveriam enviar outros àqueles lugares aos quais não pudessem ir pessoalmente, e, em resumo, dedicar as suas vidas a enviar essas boas-novas para todas as partes do mundo, com a maior fidelidade e o maior cuidado possíveis, não como uma diversão, mas como uma mensagem solene de Deus aos homens, e como um meio de fazer os homens felizes. “Contem a tantos quantos puderem, e digam que contem a outros; é uma mensagem de interesse universal, e, por isso, deve ter uma acolhida porque ela oferece uma acolhida universal”. 
A visão abrangente do Evangelho serve também como ferramenta de evangelização, como meio de anunciar as boas novas (Marcos 16.15). Aliás, nunca podemos perder de vista que o “Ide” do Senhor Jesus é o ponto chave do Cristianismo abrangente, que de modo algum pode ser ofuscado ou deixado de lado. Isso porque, o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16).
Igualmente, a visão cristã de mundo é extremamente útil para o discipulado, para informar e amadurecer um verdadeiro adorador de Cristo com relação às implicações e ramificações da fé cristã. Ela oferece ao novo discípulo um patamar através do qual entendemos o mundo e toda a realidade, mediante a perspectiva divina, para assumir um estilo de  vida de acordo com a vontade de Deus.

3- O Evangelho é transformador  
Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. (Romanos 1:16)

O Evangelho é uma das mais poderosas armas de transformação. 
O apostolo São Paulo declara em Romanos 1.16 , que não se envergonhava porque pregava sobre as Boas Novas a respeito de Cristo, uma mensagem de salvação que tem o poder de transformar vidas e é destinada a todos , sem exceção.   
No evangelho segundo escreveu São Lucas no capitulo 19 , nos mostra uma historia de verdadeira transformação pelo evangelho.
A narrativa deste texto nos fala de um chefe dos publicanos chamado Zaqueu, seu nome significa "o justo", mas esse supervisor de coletores de impostos não fazia jus a seu nome. Por certo, a comunidade judaica em Jericó não o considerava justo, uma vez que não apenas arrecadava impostos do proprio povo, como também trabalhava para gentios impuros.
Além do mais, os publicanos tinham a fama de recolher mais impostos do que era devido; quanto mais arrecadação , maior seria sua renda (Lc.3:12,13). Ainda que, aos olhos dos judeus, Zaqueu não passava de um traidor, aos olhos de Jesus era um precioso pecador perdido.
É interessante ver as transformações pelas quais Zaqueu passou naquele dia em decorrência da visita de Jesus a Jericó.
No Oriente, não era  comum um homem adulto correr, especialmente um funcionário público de posses . Zaqueu, no entanto, correu pela rua como um garotinho seguindo um desfile e até subiu numa árvore! Sem duvida , a curiosidade é uma das características da maioria das crianças e, nesse dia, Zaqueu deixou-se levar por sua curiosidade.
João Calvino disse " A curiosidade e a simplicidade são uma especie de preparação para a fé"
Zaqueu pensou que estava procurando Jesus (Lc. 19.3), mas na verdade era Jesus quem o procurava ! Não é proprio da natureza do pecador perdido buscar o Salvador (Rm 3.11). Não sabemos de que forma Deus trabalhou no zeu coração a fim de prepará-lo para esse encontro com Jesus.
Não era culpa de Zaqueu ser de pequena estatura e não conseguir ver acima da multidão. Ele fez o que estava ao seu alcançe para superar a desvantagem de ser pequeno, colocando de lado sua dignidade e subindo numa árvore.
Ninguém é capaz de atingir os parâmetros elevados de Deus; somos todos pequenos demais para entrar nos céus.
Zaqueu creu em Jesus Cristo e se tornou um verdadeiro "filho de Abraão, ou seja, um filho na fé. É impossivel ser maior do que isto!
O povo pensava que Zaqueu era um homem rico,mas, na verdade, era apenas um pecador falido que precisava receber de Deus a dádiva da vida eterna, o presente mais precioso do mundo. Esse é o unico caso nos quatro Evangelhos em que vemos Jesus se convidando para ir à casa de alguém.
Zaqueu não foi salvo porque prometeu fazer boas obras, mas sim porque respondeu pela fé ao convite do bom Salvador.
De acordo com a Lei mosaica, se um ladrão confessava voluntariamente seu crime deveria restituir o que havia roubado com um acrescimo de 20% e levar uma oferta pela culpa ao Senhor (Lv 6.1-7).
Zaqueu não discutiu os detalhes da Lei ; em vez disso, se ofereceu para pagar a indenização máxima, pois seu coração fora, verdadiramente, transformado.
Jesus convidou-se para visitar Zaqueu, e este por sua vez, recebeu-o com alegria. Zaqueu tornou-se um convidado na própria casa, pois agora Jesus era seu Senhor.
Dispôs-se a obedecer e a fazer o que fosse para dar testemunho verdadeiro diante do povo. Por certo, houve quem criticasse Jesus por visitar a casa de um publicano, mas Jesus não atentou para essas palavras. Para Zaqueu, aquele dia terminou em alegre comunhão com o Filho de Deus , pois o publicano havia sido transformado e tinha diante de si uma nova vida.
A verdade é que o Evangelho tem o poder transformador de vidas, todos quanto se chegarem a Cristo independentemente de suas ações anteriores são restaurados pelo poder salvador do Evangelho.

4-  O Evangelho é renúncia  
E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. (Mateus 16.24)

Negar-se a si mesmo não significa negar coisas materiais, mas sim se entregar inteiramente a Cristo e compartilhar de sua humilhação e morte. Paulo descreve esse processo em Romanos 12.1,2, em Filipenses 3.7-10 e em Galátas 2.20. Tomar a cruz não significa carregar fardos ou ter problemas . Tomar a cruz significa identificar-se com Cristo em sua rejeição , vergonha, sofrimento e morte.
Seguir a Jesus exige um novo rumo de vida , que precisa ser voluntario e espontâneo em direção a Ele, com a renuncia do eu até a morte.
Os cristãos seguem o seu Senhor, imitam seu modo de vida e obedecem às suas ordens. Tomar a cruz significava levar o instrumento de execução até o lugar da crucificação.Muitos galileus haviam sido mortos deste modo pelos romanos .
Aplicado aos discípulos , "levar a cruz" significa identificar-se completamente com a mensagem de Cristo mesmo que isso implicasse a morte. Devemos negar o desejo egoísta de usar nosso tempo e dinheiro como nos apraz e de escolher uma direção na vida sem levar em conta a vontade de Cristo. Seguir a Cristo nesta vida pode ser caro, mas no final, a dor e o esforço serão amplamente recompensados.
“Renuncie-se a si mesmo”. Pedro aconselhou Cristo a ter compaixão de si, e estaria disposto, num caso semelhante, a considerar o conselho, mas Cristo diz a todos eles que não devem se compadecer de si mes­ mos, mas sim renunciarem a si próprios. E assim, devem seguir a Cristo, pois o seu nascimento, e a sua vida e morte, são todos um ato contínuo de renúncia a si mesmo e humilhação (Fp 2.7,8). Se renunciar a si mesmo é uma lição árdua, contra a natureza da carne e sangue, não é mais do que o nosso Mestre aprendeu e praticou antes de nós e por nós, para a nossa redenção e também para a nossa instrução; e “não é o servo maior do que o seu se­ nhor”. Observe que todos os discípulos e seguidores de Jesus Cristo devem renunciar a si mesmos. A lei funda­ mental para a admissão na escola de Cristo, e a primeira e maior lição a ser aprendida nessa escola, consiste em renunciarmos a nós mesmos; é a porta e, ao mesmo tem­ po, o caminho estreito; isto é necessário para aprender­ mos todas as outras boas lições que nos são ensinadas. Nós devemos renunciar a nós mesmos completamente, não devemos admirar a nossa própria sombra, nem sa­ tisfazer os nossos caprichos; não devemos confiar em nosso próprio entendimento, nem procurar os nossos próprios interesses, nem permitir que a satisfação de nosso ego seja o nosso maior objetivo. Devemos renunci­ ar a nós mesmos comparativamente; devemos renunciar a nós mesmos dedicando-nos a Cristo, à sua vontade e glória, e ao serviço dos seus interesses no mundo; deve­ mos renunciar a nós mesmos pelos nossos irmãos, e pelo bem deles; e devemos renunciar a nós mesmos em nosso próprio benefício, ou seja, renunciar aos apetites do cor­ po em benefício da alma. 
Uma das expressões mais significativas de Jesus (cf. 10.38; Mc 8.34; Lc 9.23; 14.27) é encontrada no versículo 24. Não era só Cristo que deveria enfrentar a Cruz, mas tam­ bém os seus discípulos. Existe todo um sermão envolvido nesse versículo. O Mestre disse: Se alguém qui­ ser vir após mim - uma linguagem rabínica para “ser meu discípulo” - deve primeiro renunciar a si mesmo. “Renuncie-se a si mesmo” é a frase que está escrita na porta de entrada do Reino de Deus. Todo cristão deve se humilhar, renunciar aos seus pecados e negar a si próprio para entrar. Em seguida, deve tomar sobre si a sua cruz. Isso signi­ fica a morte do eu, ser crucificado com Cristo (Rm 6.6; G12.^0), isto é, uma renúncia total da vontade própria, e uma entrega à vontade de Deus. Bonhoeffer escreveu: “O discipulado significa adesão à pessoa de Jesus e, portanto, submissão à lei de Cristo, que é a lei da cruz”.85 Renuncie-se a si mesmo e tome sobre si estão no tempo aoristo e sugerem as crises da conversão e da completa consagração. Siga-me está em um tempo presente, de ação contínua, e enfatiza o compromisso que cada cristão tem de seguir a Cristo, um compromisso que deve durar a vida toda. Tudo isso está sugerindo que o único caminho para a vida é através da: 1) Renúncia de si mesmo (regeneração); 2) Morte do “eu” (santificação total); 3) Determinação pró­ pria (Siga-me). 
A expreesão paulina "Não vivo mais , mas Cristo vive em mim, nos remete a pensar na vida de renuncia, ou seja, deixem que Cristo seja visto em nós.

n'Ele , o eterno Evangelho

Marcos Serafim Silva 

Bibliografia:
Comentário Bíblico de Beacon
Comentário Bíblico de Mattew Henry – Volume 5 
http://www.cpadnews.com.br/blog/valmirnascimento/enfoque-cristao/77/por-que-e-importante-compreender-o-cristianismo-como-uma-visao-de-mundo-abrangente.html 
Bibliografia . Gerhard Friedrich, ‘‘Euaggelizomai etc”., TDNT, II, 707-737,
Biblia de Estudo de Aplicação Pessoal 
Wiersbe, Warren W. Comentário Biblico Expositivo: Novo Testamento : Volume I