23 de out de 2016

Perolas em João 3.16

Por Marcos Serafim Silva

Introdução 
Indubitavelmente este versículo é o mais conhecido e citado de toda a Escritura, considerado como o Texto Áureo da bíblia.
Lutero chamou-o de evangelho cm miniatura; Arthur John Gossip belamente (in loc.): Na Palavra de Deus em sua inteireza, deve haver poucos trechos, se algum, que tenham atraído tão irresistivelmente a tantos como o vs. 16.   
O mundo sofre com veneno do pecado, e "o salário do pecado é a morte" (Rm6.23). Deus não enviou seu Filho para morrer somente por Israel , mas pelo mundo inteiro. De que maneira alguém nasce lá do alto? De que maneira é salvo da morte eterna? Crendo em Jesus e voltando os olhos para ele pela fé.      

1-  Ágape - O amor incondicional de Deus – 
Porque Deus amou o mundo de tal maneira

O versículo primeiramente apresenta o fofo de Deus, Deus, sendo um ser inteligente, tem consciência da existência deste mundo e ama a todos os homens que nele habitam. De alguma maneira, posto que indefinida, exceto conforme entendemos as pessoas. Deus possui qualidades emocionais. 
Deus amou o mundo de tal maneira. Aqui, novamente, está a ideia do alcance universal. O evangelho é para todos os homens. Nenhum deles está excluído. 
O tempo aoristo do verbo indica que o ato de amor de Deus não é limitado pelo tempo e simultaneamente é único e completo. E o amor absoluto!
Desde o primórdio, na criação do homem Deus manifestou seu imensurável amor.
A bíblia diz: - “e disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra”.
E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gênesis 1:26,27).
A Bíblia é clara quanto à criação do homem, criou-o a sua imagem, conforme sua semelhança, não há nenhuma possibilidade de Deus ter usado o espirito dos anjos, a alma dos animais e a terra dos animais, como afirmou certo orador brasileiro, até porque Deus não necessita deste subterfúgio para criação.  O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, duas palavras para expressar a mesma coisa, tornando-as mais expressivas. Imagem e semelhança denotam a imagem mais parecida, a semelhança mais próxima de qualquer das criaturas visíveis. O homem não foi feito à semelhança de nenhuma criatura que veio antes dele, mas à semelhança de seu Criador.   
A origem humilde, e apesar disto, a curiosa estrutura do corpo do homem. A matéria era desprezível. Ele foi criado do pó da terra, uma coisa muito improvável da qual criar um homem. Mas o mesmo poder infinito que criou o mundo do nada, criou o homem, a sua obra prima, a partir de quase nada. Ele foi criado do pó, da poeira, como a que há na superfície da terra. Provavelmente, não pó seco, mas pó umedecido com o vapor que subia, v. 6. Ele não foi criado de pó de ouro, de pó de pérola, nem de pó de diamante, mas de pó comum, pó da terra. Aqui está escrito que ele é terreno, choikos - empoeirado, 1 Coríntios 15.47. E nós também somos terrenos, pois somos a sua descendência, e temos o mesmo molde. Tão próxima é a afinidade que existe entre a terra e os nossos pais terrenos, que o útero da nossa mãe, de onde nascemos, é chamado de terra (SI 139.15), e a terra, na qual devemos ser sepultados, é chamada de ventre da nossa mãe, Jó 1.21. Nosso fundamento está no pó, Jó 4.19. O material de que somos formados é terreno, e o seu molde é como o de um vaso terreno, Jó 10.9. Nosso alimento procede da terra, Jó 28.5. A nossa familiaridade está com a terra, Jó 17.14. Nossos pais estão na terra, e a nossa própria tendência final é caminhar rumo a ela. E, então, o que temos em nós mesmos de que poderíamos nos orgulhar? Ainda assim o Criador é grande, e a fabricação, magnífica. 
Mas este dia teria a coroação do ato criativo. A deidade, em deliberação, disse: Façamos o homem (26). Esta criatura tinha de ser diferente. Deus disse que o homem tinha de ser feito à nossa imagem, tendo certa semelhança com a realidade, mas carecendo de plenitude. O homem devia ser conforme a nossa semelhança, tendo similitude geral com Deus, mas não sendo uma duplicata exata. Não era para ele ser um pequeno Deus, mas definitivamente tinha de estar relacionado com Deus e ser o portador das características distintivas espirituais que o marcam exclusivamente como ser superior aos animais.
Em 1.26-30, encontramos “O Homem Feito à Imagem de Deus”. Um ser espiritual apto para a imortalidade, um ser moral que tem a semelhança de Deus, 27; um ser intelectual com a capacidade da razão e de governo, 26c, 28-30 (G. B. Williamson).
Uma das marcas da imagem de Deus foi Ele ter dado ao homem o status e o poder de governante. O direito de o homem dominar ressalta o fato de que Deus o equipou para agir como governante. A aptidão para governar implica em capacidade intelectual adequada para argumentar, organizar, planejar e avaliar. A aptidão para governar implica em capacidade emocional adequada para desejar o mais alto bem-estar dos súditos, apreciar e honrar o que é bom, verdadeiro e bonito, repugnar e repudiar o que é cruel, falso e feio, ter profunda preocupação pelo bem-estar de toda a natureza e amar a Deus que o criou. A aptidão para governar implica em capacidade volitiva adequada para escolher fazer a toda hora o que é certo, obedecer ao mandamento de Deus indiscutivelmente e sem demora, entregar alegremente todos os poderes a Deus em adoração jovial e participar em uma comunhão saudável com a natureza e Deus.
Deus criou o homem para ser uma pessoa que tivesse autoconsciência, autodeterminação e santidade interior (Ec 7.29; Ef 4.24; Cl 3.10). A imagem foi distribuída sem distinção de macho e fêmea, tornando-os iguais diante de Deus.
Bernardo de Claraval, místico e reformador do século XII diz sobre o amor a Deus: Que no início o homem ama a si mesmo em benefício próprio. Tal é a carne, que só sabe apreciar a si mesma. Depois ele percebe que não pode existir sozinho, e assim pela fé começa a procurar a Deus e amá-lo como algo necessário para seu bem-estar. Este é o segundo degrau, amar a Deus não por causa de Deus, mas por egoísmo. Porém, depois que ele aprende a adorar a Deus e ao procura-lo de forma correta, meditando sobre ele, lendo a sua Palavra, orando e observando seus mandamentos, ele aos poucos passa a descobrir quem é Deus, e o acha completamente amável. Assim, havendo provado e visto quão graciosos é o Senhor, ele avança para o terceiro degrau, quando ele ama a Deus, não simplesmente como seu benfeitor, mas como Deus mesmo. Com certeza esse é o estágio mais demorado de quem está conhecendo a Deus. Quanto ao quarto estagio, não sei se seria possível progredir mais nesta vida na direção desse estágio e de uma condição perfeita em que o homem ama a si mesmo pelo amor a Deus.
Deus demonstrou seu amor para com os homens, mulheres, crianças; aos reis, sacerdotes; a todos indubitavelmente.
O clímax do amor de Deus revelou-se através de seu Filho, porque Deus amou o mundo de tal maneira, doando-lhe a humanidade para morrer em morte de cruz, como resgate de todo aquele que n’Ele crê.  

2- Doação 
(...) que deu o seu Filho unigênito.

Essa frase descreve a profundeza do amor de Deus. Sua maior expressão, o seu Filho bem- amado, O -Logos- eterno, o verdadeiro caráter do amor consiste em dar-se perenemente essa relação sem-par e aqui usada a fim de salientar ainda mais a ideia do amor de Deus, que deu o seu Filho unigênito para a redenção do homem. Emanuel Kant alicerçava a crença em Deus e na imortalidade da alma sobre a necessidade universal (porquanto a razão assim nos ensina) da recompensa e do juízo.
A grandeza do amor de Deus para com os homens deu-se através da doação de seu Filho. No evangelho de João 1.14, vemos a imensidão da doação para com um mundo caído “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”.  
O termo aqui traduzido como se fez na verdade significa “tornou-se”; portanto, ele descreve com exatidão a entrada de Jesus na história. 
 Falando ao mundo grego de seus dias, João disse nos melhores termos possíveis que “o Logos da filosofia é o Jesus da história”. Além disso, os gnósticos docéticos daquela época afirmavam que não houve uma encarnação real — pensavam que o corpo de Jesus fosse apenas uma “semelhança”. Para eles, Cristo era, no máximo, uma teofania — uma aparição de Deus em forma humana. Alegavam que o Verbo nunca se tornou carne, realmente. Em oposição, João fez uma declaração simples, direta e poderosa: O Verbo se fez carne. 
Ele habitou entre nós. A temporalidade da Encarnação é mostrada na figura de uma tenda para habitação temporária. João escreveu literalmente: “O Verbo levantou um tabernáculo ou uma tenda entre nós”. A historicidade da Encarnação é certificada no lugar da habitação — entre nós.
Ele “habitou entre nós”, aqui, neste mundo inferior. Tendo assumido a natureza de homem, Ele colocou- se no lugar e na condição de outros homens. O Verbo poderia ter-se feito carne, e habitado entre os anjos. Mas, tendo tomado um corpo do mesmo molde que nós, nele Ele veio, e habitou no mesmo mundo que nós. Ele habitou entre nós; nós, vermes da terra; nós, de quem Ele não precisava; nós, que éramos corruptos e depravados, e revoltados contra Deus. O Senhor Deus veio e habitou até entre os rebeldes.
Ele habitou entre nós. Ele estava no mundo, não como um viajante que fica apenas por uma noite, mas Ele habitou entre nós, teve uma longa estada, a expressão original é notável, eskenosen en hemin - Ele residiu entre nós, como em um tabernáculo, o que sugere, em primeiro lugar, que Ele habitou aqui em circunstâncias muito humildes, como pastores que habitam em tendas. Ele não habitou entre nós como em um palácio, mas como em uma tenda, pois Ele não tinha onde reclinar a cabeça, e estava sempre se deslocando de um lugar para outro. O Verbo encarnado estava de todas as maneiras, qualificado para sua missão de Mediador, pois Ele estava “cheio de graça e de verdade”, as duas grandes coisas de que os homens caídos necessitam. E isto evidenciava que Ele era o Pilho de Deus, tanto quanto o divino poder e a divina majestade que se apresentavam nele. Em primeiro lugar, Ele tinha a plenitude de graça e da verdade para si mesmo. Ele tinha o Espírito sem medida. Ele era cheio de graça, completamente aceitável ao seu Pai, e, portanto, qualificado para interceder por nós; e cheio de verdade, completamente informado das coisas que Ele deveria revelar, e, portanto, adequado para nos instruir. Ele tinha uma plenitude de conhecimento e uma plenitude de compaixão. Em segundo lugar, Ele tinha a plenitude de graça e verdade para nós. Ele recebeu, para que pudesse dar, e Deus se comprazia nele, para que pudesse comprazer-se conosco, nele. E esta era a verdade da tipologia utilizada pelo Senhor. 
O apostolo Paulo ao escrever a epistola aos Filipenses revelou-nos a grandeza dessa doação, o Deus que veio habitar entre os homens esvaziando de toda sua gloria, Ele em completa devoção.
O texto diz; “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”. (Filipenses 2:7,8)
Ele realmente se tornou homem, participou da nossa carne e sangue, apareceu com a natureza humana e assumiu essa natureza voluntariamente; foi seu próprio ato e por seu próprio consentimento. Não podemos dizer que a nossa participação na natureza humana é assim. Ele, na verdade, “... aniquilou-se a si mesmo”, esvaziou-se das honras e glórias do mundo acima e da sua aparência anterior, para vestir-se com os trapos da natureza humana. Ele foi, em tudo, semelhante a nós.
Fazendo-se semelhante aos homens pode ser traduzido por “ele se tornou [tgenomenos] como os homens” (plural; cf. BV, NTLH). A referência é à humanidade de Jesus, que teve um começo no tempo e deve ser considerada no sentido de Gálatas 4.4: “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher”. 
Donald Baillie destacou : “A igreja nunca ensinou que o elemento humano em Jesus, sua humanidade, é consubstanciai ou co-eterno com Deus, mas que é consubstanciai conosco e pertence à ordem das coisas criadas”. O termo grego homoiomati (semelhança) não dá margem a considerarmos algo menos que homem. A humanidade de Cristo não era mera máscara ou disfarce. Ele era “realmente como os homens, da mesma forma que era verdadeiramente homem”; mas “era também mais que homem, diferente dos homens, sem cujo fato não seria semelhança, mas mera identidade”.Jesus Cristo era verdadeiramente homem, mas nele e por ele veio a revelação de Deus. Isto o torna único e distinto do homem
— ele é “verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus”. O único modo de Paulo expressar esta verdade é falar da semelhança de Jesus com os homens.
Humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte . O texto não declara explicitamente a quem foi prestada obediência. A frase até à morte significa “até à importância da morte”. Contudo, Cristo se sujeitou à morte “para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo, e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Hb 2.14,15). Devemos enfatizar que os atos de Cristo de auto - humilhação e obediência até à morte foram voluntários — de si mesmo ele depôs a vida (Jo 10.17,18) —, ao mesmo tempo em que tais atos estavam de acordo com a vontade do Pai. A morte de cruz fala do clímax da humilhação própria de Cristo, pois era a maneira mais infame de morte conhecida nos dias de Paulo. A lei de Moisés proferira uma maldição contra ela (Dt 21.23), e os gentios a reservavam para seus mais odiados inimigos e criminosos comuns. Assim, associada à cruz estava à vergonha mais intensa (Hb 12.2). Mas por sua obediência até à morte e morte de cruz, Cristo “aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção, pelo evangelho” (1 Tm 1.10). Por conseguinte, “a cruz de Cristo se tornou sua coroa de glória”(cf. Rm 5.19).
Sua doação atingiu, atinge e atingirá a todos quantos a Ele se chegar, através da cruz Jesus doou-se para a humanidade perdida e que hoje “sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira”, somos participantes com Ele através de sua doação inigualável e eterna – Deus deu seu filho Unigênito.    

3- Reconciliação – 
(...) para que todo aquele que nele crê. 

A palavra reconciliação (do latim reconciliato) significa reatamento de relações entre partes litigantes. O Senhor Jesus com sua morte vicária, reconciliou-nos com Deus de maneira definitiva, clara e eficiente.   
Aqui é descrita em sua grandeza, porquanto por intermédio do homem Jesus é que vem a experiência da regeneração e todos os seus benefícios se originam naquilo  que Cristo  realizou.
Ele veio para que o mundo fosse salvo por Ele, para que uma porta para a salvação pudesse ser aberta ao mundo, e quem desejasse pudesse passar por ela. Deus estava
em Cristo “reconciliando consigo o mundo”, e, desta maneira, salvando-o. Uma declaração de anistia é aprovada e publicada, por meio de Cristo uma lei reparadora é feita, e o mundo da humanidade é tratado, não de acordo com os rigores do primeiro concerto, mas de acordo com as riquezas do segundo, para que o mundo fosse salvo por Ele, pois ele nunca poderia ser salvo, senão por Ele. Não existe salvação em ninguém mais. O fato de que Cristo, nosso Juiz, veio não para condenar, mas para salvar, são boas novas para uma consciência condenada, a cura para os ossos quebrados e as feridas ensanguentadas.
Todo aquele que crê é uma expressão que se refere ao evangelho universal, ou seja, às Boas Novas para todos os homens. Não existem barreiras de nação, de raça ou de tempo. O sacrifício perfeito foi realizado. O homem deve reagir, deve ter fé. O texto grego usa a preposição eis — que significa “em”, “dentro”, “para dentro” — com o verbo crer. Uma tradução literal seria “todo aquele que deposita a sua fé nele”. A fé é a resposta perfeita do homem ao chamado e à reivindicação de Deus a seu respeito.
Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida! (Romanos 5:10)
“Reconciliados com Deus pela morte de seu Filho”; o pecado é perdoado, o pecador é aceito como justo, a rixa acaba , a inimizade termina, a iniquidade tem um fim e uma retidão perpetua é produzida.
Isso foi feito, ou seja, Cristo cumpriu todas as condições lhe cabiam com relação a isso, e, imediatamente somos verdadeiramente inseridos no estado de justificação e reconciliação.
Alcançar a reconciliação é: Consentir na reconciliação, aceitar e concordar com aqueles métodos que a Infinita Sabedoria adotou para salvar um mundo culpado, através do sangue de um Jesus crucificado, estando disposto e feliz em ser salvo à maneira do evangelho e sob seus termos. Ser confortado pela expiação, a qual é a fonte e o fundamento de nosso gloriar-se em Deus.
Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. Aqui fica explicitamente claro que este argumento da reconciliação à salvação se baseia logicamente no fato de que Cristo não somente morreu, mas também ressuscitou. A nossa frente está à salvação e - como compartilhamos a sua morte, também devemos agora compartilhar a sua vida, com Ele - não podemos fazer nada, exceto nos alegrarmos muito nesta preciosa salvação. Salvos pela sua vida indica a salvação no sentido completo e final - o sentido final que, com a justificação, assume a restauração da santidade. A mediação pela sua vida completa o que se iniciou pelo seu sangue e nos assegura a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Desta maneira, a justificação se distingue da santificação, e na verdade é a porta de entrada para ela; a justificação se baseia na morte de seu Filho. A santificação flui da vida de Cristo pela obra do Espírito Santo Paulo conclui e não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus (Wesley: Ou “nos alegramos em Deus”) (...) pelo qual agora alcançamos a reconciliação (katallagen, “reconciliação”). A vida ressuscitada de Cristo sela a nossa justificação que foi efetivada pela sua morte. E porque Ele vive, esta paz, a nossa reconciliação, e o derramamento do amor de Deus nos nossos corações, marcam um ponto em nossa jornada além do qual não existe retorno, e a partir do qual só existe um futuro para nós, e no qual nós só podemos nos gloriar.

4- Galardão – 
(...) não pereça, mas tenha a vida eterna

Depois do ágape – amor incondicional , Deus doou seu Filho Unigênito , nos reconciliando através da cruz por seu sangue , mesmo que, não merecendo Ele nos promete galardão , uma vida eterna com Ele.
O evangelista João descreve com minúcia a fala de Jesus no capitulo 14.1 a 3 e sua promessa de uma vida eterna com Ele. Jesus disse: Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.
E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.
Qualquer que seja o simbolismo particular por detrás dessas palavras parece perfeitamente certo que a ideia judaica da multiplicidade das habitações celestiais é aqui subentendida. Comumente, os Judeus falavam em sete céus, cada um dos quais indicaria uma região distinta, bem como graus diversos de glória e recompensa. (Ver Talmude Bub. Bava Baihra, foi. 75.2; Nishmat Chayim. foi. 32.2; Midrash Tallim em Galatin 1.12. cap.6). O número sete é o número da perfeição, e assim temos os céus de Deus referidos como algo completo e perfeito. Essa ideia aparece refletida nas páginas do N.T., onde o apóstolo Paulo fala no terceiro céu, e também onde fala nos lugares celestiais. O trono estabelecido nos céus; a herança dos crentes que lhes está reservada nos céus. O trono de Deus ficaria na parte central, ou pináculo da glória celeste; mas isso não significaria que não existem outros céus, habitações ou regiões. Tholuck (in loc.) observa: Na multiplicidade das moradas (no grego, monai).
O lugar que Ele nos está preparando está nos lugares celestiais, mas é um lugar especial para nós, os eleitos.
É o mais exaltado dos lugares, pois ali homens transformados chegarão a participar de sua imagem e natureza, passando de um estágio de glória para outro, pelo poder do Espirito.  Ali é que os homens compartilharão da natureza e dos atributos divinos, pois ele sempre irá expandindo os limites de sua habitação, pois são o seu templo.
Não se turbe o vosso coração (14.1). Então, como para defender a fé tardia em todos os seus ouvintes, Ele deu dois grandes imperativos, ambos no plural: “Tenham fé em Deus, e tenham fé em mim” 
O que está preparado para aqueles que têm fé? Na casa de meu Pai há muitas moradas (recintos) (2).41 Westcott observa que a palavra “moradas” vem da Vulgata, mansiones, “que eram lugares de descanso, e especialmente as ‘estalagens’ em uma grande estrada onde os viajantes encontravam repouso”, sugerindo a ideia tanto de repouso como de progresso. Bernard diz que estes são “lugares de habitação”, não estalagens meramente temporárias em uma jornada. No entanto, o fato de ser a casa do Pai já diz o suficiente. “O lar de Deus, o antítipo eterno do Templo transitório em Jerusalém e da habitação do Pai e do Filho no crente, é espaçoso e tem muitos cômodos”. Com base na evidência de um excelente manuscrito, a versão RSV em inglês — juntamente com Strachan, Bauer, Bernard e Moffatt — traduz a parte restante do versículo 2 como uma pergunta: “Se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, vou preparar- vos lugar?” A objeção a isto é que “em nenhuma passagem no Evangelho Jesus disse que Ele irá ‘preparar lugar”’.
A promessa aos seus discípulos foi: virei outra vez (lit. “estarei vindo novamente”). A principal referência é à segunda vinda. Mas ela também sugere um outro pensamento: “Cristo está, desde o momento de sua ressurreição, vindo para o mundo, para a igreja e para os homens como o Senhor ressurreto”
Aqui está uma instrução especial para crer na promessa da vida eterna. Jesus os tinha orientado a confiar em Deus, e a confiar nele. Mas para que deveriam eles confiar em Deus e em Cristo? Confiar neles para uma felicidade futura, quando este corpo e este mundo não mais existirem, e para uma felicidade que durará tanto quanto a alma imortal e o mundo eterno durarão. Isto é proposto como um estímulo àqueles que estão sob todas as dificuldades desta época atual, às quais a felicidade do céu é, de maneira admirável, adaptada e adequada. Nas suas mais difíceis situações, os santos se encorajaram com o fato de que o céu compensará a todos. Vejamos como isto é sugerido aqui. Crer e considerar que realmente existe uma felicidade como esta: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito”.
Veja sob que conceito a felicidade do céu é aqui representada: como moradas, muitas moradas na casa do Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. O céu é uma morada, não é uma tenda nem um tabernáculo. E uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. É a casa de um Pai: a “casa de meu Pai”. E seu Pai é nosso Pai, ao qual agora Ele iria ascender, de modo que através do direito de seu irmão mais velho, todos os verdadeiros crentes serão bem-vindos a esta felicidade, como à sua casa. E a casa daquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, que reside na luz e habita na eternidade.
Ali há moradas, isto é, em primeiro lugar, moradas distintas, uma morada para cada pessoa. Talvez aqui haja uma alusão aos aposentos dos sacerdotes que havia no Templo. No céu, há acomodações para santos particulares. Embora todos sejamos unidos a Deus, ainda assim nossa individualidade não se perderá ali. Cada israelita tinha sua parte em Canaã, e cada ancião, um trono. 
Em segundo lugar, moradas duradouras. Monai, de mneio, maneo, moradas permanentes. A própria morada é duradoura. Nossa propriedade nela não é por um período limitado, por um período de alguns anos, mas por toda a eternidade. Aqui nós vivemos como se estivéssemos em uma hospedaria. No céu, nós seremos estabelecidos. Os discípulos tinham abandonado suas casas para acompanhar a Cristo, que não tinha onde reclinar a cabeça, mas as moradas no céu irão lhes compensar isto. Há muitas moradas, pois há muitos filhos para serem levados à glória, e Cristo conhece com exatidão seu número, e eles não serão confinados pela chegada de um grupo maior do que Ele espera. Ele tinha dito a Pedro que ele o seguiria, mas que os demais não se sintam desencorajados, no céu há moradas para todos. 

n'Ele 
Marcos Serafim Silva 
 
Bibliografias:
Russell Norman Champlin, Ph. D.
Dicionário – Andrade , Claudionor Corrêa de – 1. Ed. – Rio de Janeiro : Casa Publicadora das Assembleias de Deus.
Matthew Henry’s Commentary on the whole Bible - Volume I - Genesis to Deuteronomy. Domínio público.
Beacon Bible Commentary 10 Volume Set - Copyright © 1969. Publicado pela Beacon Hill Press of Kansas City, uma divisão da Nazarene Publishing House, Kansas City, Missouri 64109, EUA.