15 de mar de 2009

Igrejas Sem Brilho


“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela ” (Mateus 16.18)

Igreja no contexto bíblico pode designar uma reunião de pessoas, sem estar necessariamente associado à edificação ou a uma doutrina especifica.
Etimologicamente a palavra igreja - εκκλησία (ekklesia ) no grego e ecclesia do latim significa ek – para fora e Klesia – chamados ou seja chamados para fora, podendo também ser definido com povo que se organiza.
A igreja é um organismo jamais vencido, mas a intervenção humana modifica a estrutura das peças estabelecidas por Deus para seu perfeito funcionamento, substituindo as peças mestras, que Deus mesmo colocou, por outras que os homens imaginaram.
A igreja de Cristo é composta de todos aqueles que foram salvos pela graça, é una, e indivisível. A igreja de Cristo é um organismo perfeito que está edificada não em homens, mas está edificada sobre a Rocha dos Séculos.
Na igreja primitiva, a primazia e a direção suprema pertencem ao Espírito do Senhor, e não a qualquer homem que tenha o comando e direção desta ou daquela Instituição.Na igreja primitiva, os cristãos eram cuidadosamente instruídos acerca do caminho, em contraste com o abandono em que vivem os neoconvertidos nas igrejas de nosso tempo.Naqueles dias, os neófitos aprendiam como dar razão a sua fé: um príncipe ou um nobre não conhecia melhor a doutrina cristã do que o homem do povo ou o marítimo que se convertera numa de suas viagens em um porto qualquer. O conhecimento de uns era o conhecimento de todos.
Quem dava relevo e brilho a igreja não era a inteligência ou a cultura dos homens que Deus usava para anunciarem suas verdades: a capacidade intelectual era quase nula; suas palavras não tinham o verbo fascinante dos oradores gregos, o fulgor da igreja brotava das verdades recebidas de Deus e fielmente anunciadas aos homens, como sendo obra do Céu, e não ao trabalho humano. A única luz que brilhava na igreja era a luz do Espírito Santo, porque o combustível que ardia era tão-somente a revelação da graça a orientar todas as vontades. O brilho da igreja primitiva pode e deve ser a luz das igrejas atuais.
Deus espera que da igreja se desprenda a fragrância viva do amor e da santidade, tal como das flores se esparze o odor nas asas da brisa, Deus espera da igreja, mas que façam num espírito voluntário, sem suspirar, sem tocar a trombeta para que todos saibam, e sem esperar que o Senhor permita uma perseguição, para que todos se dediquem a oração.
A igreja que não estiver apoiada numa força superior à força de organizações, planos, programas, sabedoria e dinheiro serão frágeis aos olhos de Deus; esses poderes que enumeramos, apenas dão brilho superficial e, quando entram a funcionar em lugar de colocarem seus próprios problemas, em lugar de colocarem em primeiro plano a salvação dos pecadores. Igrejas há muitas; porem as igrejas que falam mais de Cristo do que si próprias, não são muito numerosas.
A visão estrábica de alguns homens arrostou a igreja para longe da visão esplendorosa de continuar a ser uma testemunha de Cristo aqui na terra. Em alguns casos essa visão fica tão prejudicada e tão obscura que homens e organizações confundem sua missão de testemunhas com a de salvar.Nem mesmo no Céu, os anjos serão capazes de substituir Jesus!Como então os homens tentam fazê-lo?
A fraqueza e a falta de iluminação do Espírito decorrem deste fato tristíssimo notado em toda parte: A substituição da doutrina da salvação por doutrinas em que sobressaem a filosofia, e a teologia. Os apóstolos clamaram e condenaram essa ameaça, mas os homens insistiram sempre em introduzi-la na igreja, o resultado e que, com isso, a igreja se afasta de Cristo.
A pregação pode ser uma luz a iluminar o caminho para o Calvário, como pode ser uma nuvem de obscuridade a evitar que as almas vejam a Cristo e sigam. Se o pregador estimar mais a mensagem que prega do a pessoa de Cristo, tal pregador é idolatra. Se a pregação for feita com propósito de mostrar a capacidade do orador, ninguém negara que no coração há idolatria ligada ao sermão.O contraste entre os pregadores dos tempos apostólicos e muitos pregadores de nossos dias é flagrante, o que há em abundancia nos dias presentes são ganhadores de elogios, em virtude de carregarem seus sermões de sabedoria, deixando-os vazios de Cristo, obstante a isso tem ocorrido em nosso meio muito que até imitam, copiam e vez por outra somos surpreendidos ate com a maneira de se vestir, gestos e ate imitam a voz do pregador tal.Há uma escala muito grande pregadores e muito pouco ensinadores e expositores da verdadeira palavra.
Quando a apostolo Paulo afirmou que a letra mata, mas o espírito vivifica, estava, ainda que indiretamente, com essas palavras, combatendo o movimento incipiente de dogmatismo na igreja, que tinha por objeto sobrepor-se à revelação do Espírito do Senhor.
A igreja que tem a revelação de Cristo e conserva os princípios da palavra de Deus, conhece a verdade, e a verdade a conserva em liberdade: não é escrava da má teologia.
A igreja deve continuar a ser igreja, desempenhando a missão que lhe foi confiada por Cristo, conservando a liberdade espiritual que a graça outorga. A teologia que se contente com o lugar que lhe compete desempenhar, sem se intrometer onde não lhe compete, impondo uma autoridade que o Bíblia possui; assim poderá a ser útil sem criar embaraços e fazer prisioneiros.A igreja alcançara o esplendor e o respeito de todos, se ela mesma se transformar numa tocha profética, isto é, se anunciarão mundos todas as verdades constante da mensagem do cristianismo, tantos as de objetivo imediato como as relacionadas com o futuro. Se a mensagem na for completa, sua vida não terá brilho.

Em Cristo, Sola Gratia et Sola Fide Marcos.


Conde, Emilio – 1918-1971 - Igrejas Sem Brilho. Rio de Janeiro.Casa Publicadora Assembléia de Deus, 1985