18 de mar de 2014

Como exercer a cidadania na sociedade brasileira contemporânea: Segregação

Por Marcos Serafim Silva

O Brasil é um país de dimensão continental, sendo o quinto maior do mundo em área territorial. É o único país onde se fala majoritariamente a língua portuguesa na América é o maior país lusófono do planeta, além de ser uma das nações mais multiculturais e etnicamente diversas, em decorrência da forte imigração oriunda de variados cantos do mundo.
Somos grandes em biodiversidade, fauna, flora, demografia, religião, população, culturalmente, musicalmente, culinariamente, há séculos o Brasil vem sendo formado por diferentes indivíduos, nossa nação é verde e amarelo mais está multifacetada e miscigenada por varias outras historias, cores, gostos, linguagens e por ai vai.
O Brasil é um país belo, de exuberante litoral, de clima tropical, rios, riachos, florestas. O Brasil também é conhecido como o país do futebol (será?), e vem se destacando também em outros esportes, do carnaval, sem, duvida teríamos muito que escrever sobre a beleza natural do Brasil.
Mas, entretanto olhando em outra dimensão muitos especialistas dizem que o Brasil é um país segregado, e com muitos conflitos. Segregação, ou seja, tratamento desigual ou injusto dado a uma pessoa ou grupo, com base em preconceitos de alguma ordem, notadamente sexual, religioso, étnico, etc. 
A segregação está presente em diversas ciências, como na geologia e na biologia, além de possuir um significado importante para a sociedade, como a segregação racial, a segregação urbana e socioespacial, e etc.
Episódios lamentáveis em vários âmbitos da sociedade comprovam silenciosamente de que há muita segregação embutida no cotidiano brasileiro. Há questões de cunho racial, político, sócio educativo, segurança publica, saneamento básico, economia sustentável e uma infinidade de outras demandas que poderiam ser mais bem colocadas a população quer seja pelos meios midiáticos, impressa escrita; mas parece não haver interesse de nenhuma parte, nem através da mídia, nem através de entidades relacionadas ao bem-estar social; ou por parte do governo. Cada individuo pensa de forma diferenciada, porem os direitos e deveres é igual a todos, não importando o credo, raça, cor, segmento etc. Conforme a Constituição Federal de 1988 diz: “Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
Mas o que não quer calar e a seguinte pergunta: - Quem cumpre integralmente a CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.? Se há, por exemplo, questões raciais ainda imanentes, no direito de ir e vir dentro da própria pátria, nos estádios de futebol, nas igrejas e em vários outros segmentos de nossa sociedade, há discriminação por todos os lados. Há duas formas de discriminar: a primeira, visível, reprovável de imediato e a segunda, indireta, que diz respeito à prática de atos aparentemente neutros, mas que produzem efeitos diversos sobre determinados grupos. A discriminação pode se dar por sexo, idade, cor, ou racismo estado civil, religião, ou por ser a pessoa, portadora de algum tipo de deficiência. Pode ocorrer ainda, simplesmente porque o empregado propôs uma ação reclamatória, contra um ex-patrão ou porque participou de uma greve. Discrimina-se, ainda, por doença, orientação sexual, aparência, e por uma série de outros motivos, que nada têm a ver com os requisitos necessários ao efetivo desempenho da função oferecida. O ato discriminatório pode estar consubstanciado, também, na exigência de certidões pessoais ou de exames médicos dos candidatos a emprego.
Não há dúvida de que é preciso investir mais na educação básica, melhorar a sua qualidade e reduzir a enorme desigualdade de oportunidades que existe no Brasil. A Campanha pelo Direito à Educação defende uma boa escola pública. Mas existem outros problemas além desse. Hoje temos um contingente enorme de estudantes que completam o ensino médio na escola pública e não consegue ingressar nas universidades públicas de qualidade. A política de cotas é uma maneira de quebrar essa barreira. É uma política de compensação. Ela terá um tempo determinado e deverá ser implementada juntamente com políticas públicas que garantam a melhoria do ensino básico. Desta maneira, quando a política de cotas acabarem, todos os estudantes poderão ter as mesmas condições de acesso à universidade.
Uma reportagem no fantástico relatou que é possível dar um ensino de qualidade e surpreender a falta de recursos, se todos estiverem engajados no mesmo projeto e propósito, querendo se faz.     
Questão ligada à política de segregação de saúde publica, diga-se que há muito que fazer; recente reportagem mostrou hospitais federais caindo aos pedaços, e a verba indo ralo abaixo, fica claro que há má vontade e envolvimento por parte de todos os governos e entidades relacionadas com a saúde neste país. O abastado financeiramente tem condições de pagar um excelente plano de saúde, enquanto o menos favorecido fica meses esperando uma consulta no sistema básico de saúde, mas dinheiro para a Copa tem!
O Sistema Único de Saúde (SUS) é a denominação do sistema público e privado de saúde brasileiro, daí o nome "único", unifica o sistema de saúde no Brasil. Considerado um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. Agora em âmbitos municipais  os desafios da Secretaria Municipal de Saúde é consolidar o SUS desenvolvendo estratégias efetivas com enfoque na promoção, prevenção e reabilitação em todos os níveis de assistência. Os novos desafios que se impõe na vida dos cidadãos de uma metrópole com mais de dez milhões de habitantes, o estilo de vida do paulistano, pressupõem mudanças de paradigmas e adequações no modelo de assistência à saúde. Assim, a Secretaria Municipal de Saúde, atenta à realidade identificou a necessidade de racionalizar e hierarquizar a oferta de serviços de saúde no território e propôs a criação, em 2005, das Unidades de Assistência Médica Ambulatorial ( AMA ), implantadas no campo de atuação da Atenção Básica, integrada e articulada à rede de serviços, atendendo a demanda espontânea de agravos menores, possibilitando que os Serviços de Urgência e Emergências tenham seus recursos destinados à assistência de maior complexidade. A AMA absorve a demanda de baixa e média complexidade com qualidade sem perder a medida do risco e a necessidade da continuidade das atividades de promoção, prevenção e assistência básica.
A gestão das AMA está sendo compartilhada entre SMS e as entidades da sociedade civil. As características de cada AMA podem admitir alterações, de acordo com as necessidades locais, podendo funcionar 24 horas. São varias as tentativas de otimizar  a área de saúde publica nacional , como estadual e municipal, mas será que seus criadores e familiares utilizam as unidades básicas de saúde para comprovar sua eficiência e eficácia, para depois fazerem avaliação.      
Dentre tantas outras coisas que há de errado com a nação brasileira uma delas e também é dizer que o Brasil é laico o que no artigo 5º, inciso VI, da Constituição Federal está descrito que: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantia, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias.”, mas venhamos e convenhamos isso é pura demagogia, se gastou rios de dinheiro para um evento que recentemente aconteceu, mas minha opinião é que todas as religiões fossem favorecidas com os mesmos recursos. Também conhecido como Estado Secular, o Estado Laico é aquele que não possui uma religião oficial, mantendo-se neutro e imparcial no que se refere aos temas religiosos. Geralmente, o Estado laico favorece, através de leis e ações, a boa convivência entre os credos e religiões, combatendo o preconceito e a discriminação religiosa.
O cantor e compositor Mirosmar José de Camargo, mais conhecido como Zezé di Camargo, retratou de forma brilhante na canção Meu País, os males que assolam o Brasil:
Aqui não falta sol
Aqui não falta chuva
A terra faz brotar qualquer semente
Se a mão de Deus
Protege e molha o nosso chão
Por que será que tá faltando pão ?
Se a natureza nunca reclamou da gente
Do corte do machado, a foice, o fogo ardente
Se nessa terra tudo que se planta dá
Que é que há, meu país ?
O que é que há ?
Tem alguém levando lucro
Tem alguém colhendo o fruto
Sem saber o que é plantar
Tá faltando consciência
Tá sobrando paciência
Tá faltando alguém gritar
Feito um trem desgovernado
Quem trabalha tá ferrado
Nas mãos de quem só engana
Feito mal que não tem cura
Estão levando à loucura
O país que a gente ama
Feito mal que não tem cura
Estão levando à loucura
O Brasil que a gente ama
As manifestações têm o objetivo de demonstrar (em geral ao poder instalado) o descontentamento com relação a algo ou o apoio a determinadas iniciativas de interesse público. É habitual que se atribua a uma manifestação um êxito tanto maior quanto maior o número de pessoas participantes. Os tópicos das manifestações são em geral do âmbito político, econômico, e social. Não adianta manifestações publicas sem objetivos, sem causa aparente e convincente, temos sim que reivindicar nossos direitos, isso é legitimo, mas, quebra-quebra como alguns fazem em nome de reivindicação isso é antidemocrático e, mas parece baderna.
Para exercer uma cidadania saudável e preciso lutar pelos nossos direitos e deveres, participando ativamente, contribuindo para o nosso bem estar. A sociedade brasileira faz na reconstrução de um novo caminho, preparando-se para um novo futuro, que queremos que seja brilhante, que todos nós possamos contribuir, cada um com sua parcela de contribuição, fazendo prosperar nossa pátria, já que é uma pátria multifuncional. O povo brasileiro é capaz de lutar por mudanças, já provou isso num passado recente, basta confiar no poder que possuem e aprender a exercê-lo completamente.


Fontes: 
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/atencao_basica/ama/index.php?p=1911

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso 

http://pt.wikipedia.org/

9 de mar de 2014

Crentes feridos estão esquecidos nas trincheiras

Por  Luís Montanini
A igreja talvez seja hoje o único exército do mundo cujos soldados não voltam para buscar seus feridos no campo de batalha.
Ao contrário, substitui-os rapidamente no batalhão e segue em frente, esquecendo-se que muitos soldados de valor ficaram à beira da morte pelas trincheiras.
Caso o último censo do IBGE tivesse incluído questão sobre o número de "desviados" no Brasil, o resultado seria assustador.
Calcula-se que hoje existam no País entre 30 milhões e 40 milhões de "desviados".
Por "desviados" entenda pessoas que um dia tiveram seus nomes no rol de membros de algum grupo cristão, mas que hoje estão à margem da vida da igreja.
Estas pessoas - cuja boa parte povoa hospícios e presídios, ou carrega saco às costas, vaga errante à beira de estradas - um dia confessaram alegremente a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor e no outro se viram literalmente jogados na sarjeta espiritual.
Nesse contingente de desviados há casos para todo tipo de pessoas. Do endurecido ao desprezado, do chafurdado na lama pelo engano do pecado ao desesperado para sair dele, mas sem ninguém para estender a mão.
É desta classe de pessoas que trata esta edição. De pessoas desesperadas por uma nova chance, mas sem ter a quem recorrer porque, sabem, o único lugar onde encontrariam novamente a paz para suas almas é a igreja, mas ali, pensam, há santos demais para admitir o retorno de um filho pródigo como ele.
Afinal, com ou sem motivo, um dia foram expulsos sumariamente. Seja porque inadvertidamente cortaram os longos cabelos ou caíram em erros considerados "sem volta" por sua igreja, como o adultério.
Foram disciplinados, escrachados, alijados da comunhão e, não raro, se excluíram ou foram excluídos. Como Satanás, foram expulsos do paraíso. Como Caim, receberam uma mancha na testa e foram condenados a andar errantes pelo mundo pelo resto de suas vidas miseráveis. O problema é que em seus casos específicos, não foi Deus o autor do juízo sumário.
Com tamanha carga sobre as costas, voltar é passo difícil, em algumas situações, impossível.
- A própria igreja discrimina os desviados - constata Sinfrônio Jardim Neto, líder do ministério Jesus não Desistiu de Você, de Belo Horizonte, dedicado à restauração da vida dos desviados.
- A igreja vê o desviado como se fosse Judas Iscariotes, que traiu a Deus e a igreja. E o trata como se fosse lixo que precisa ser retirado daquele ambiente. Mal sabe que o desviado é como o ouro de Deus que se perdeu na lama podre. “Está perdido na lama, mas ainda é ouro e precisa de gente interessada, garimpeiros que estendam a mão e vasculhem até encontrá-lo”.
Hoje a maioria das igrejas não possui qualquer trabalho específico para trazer suas ovelhas desviadas de volta ao aprisco. Ninguém pensa em deixar suas 99 ovelhas e sair atrás da centésima, extraviada.
Sinfrônio Jardim também tem explicação para esse fenômeno. Afirma que na visão expansionista de muitas igrejas hoje é pouco lucrativo deixar 99 ovelhas e sair por lugares ermos atrás de uma ovelhinha extraviada que nem sabe se está viva ou que talvez esteja tão ferida que não tenha chance de sobreviver.
- Muitos acham que não vale a pena tamanho esforço, que vão perder tempo. E, para aliviar suas consciências, usam o argumento de que a pessoa já conhece a palavra.
Outros chegam a usar versos bíblicos para justificar o esquecimento. "Saíram de nós porque não eram dos nossos..." é um dos mais recitados.
A falta de visão de restauração descrita por toda a bíblia é ignorada nesses casos.
"Buscar ovelhas perdidas é visão antipática em muitas igrejas", lembra Sinfrônio Jardim. "Isto porque quando o membro sai, geralmente sai falando mal da igreja ou do pastor.
Acaba ficando mal visto dentro da própria igreja que, em vez de amá-lo e perdoá-lo, passa a tratá-lo como ovelha negra. Desta forma, quando alguém se dispõe a ir atrás dessa ovelha perdida, torna-se também impopular e corre o risco de ser também mal visto. “E poucos estão dispostos a isto”.

Um desvio monstruoso

• Há hoje, apenas no Brasil, entre trinta e quarenta milhões de pessoas que um dia freqüentaram alguma igreja evangélica.

• Uma igreja de dez anos, que manteve média de duzentos membros, viu passar, por seu rol, o dobro desse número. Isto é, quatrocentas pessoas que passaram por essa igreja estão desviadas hoje.

• A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil. 

• Entre 60% e 70% dos desviados, estes não receberam qualquer visita de líderes ou membros quando decidiram sair da igreja.

• Entre 40% e 30% receberam de uma a três visitas, que se revelaram, na maioria das vezes, de cobrança ou condenação. 

• Hospícios e presídios são os lugares de destino de boa parte dos desviados. 

• De cada dez andarilhos, três deles freqüentaram alguma igreja um dia.

• A maioria dos desviados (acima de 50%) é afetada pelo ressentimento com sua liderança

Pensemos nisto !

Marcos Serafim Silva


Fonte :  http://www.montesiao.pro.br/estudos/evangelismo/crentesferidos.html

3 de mar de 2014

Posso ter uma opinião diferente?




E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível.
Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão.
E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação.
Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? (Gálatas 2. 11-14) 

Paulo se opôs a Pedro porque sua conduta dava a falsa impressão de que estava renunciando à posição tomada em Jerusalém. A ação do concilio na questão do decreto abriu a porta da liberdade de intercambio social entre judeus e gentios na igreja de Antioquia, uma liberdade que Pedro aceitou com alegria. Chegou até comer com os gentios. Mas a chegada de certos homens enviados por Tiago, o reconhecido líder de Jerusalém, despertou o temor coração de Pedro, pois ele se lembrou que a igreja mãe o repreendera por se associar e comer com os gentios na casa de Cornélio. Impossível saber qual o relacionamento entre esses visitantes e Tiago, e qual precisamente foi à missão deles. Pedro afastou-se (dos irmãos gentios) gradualmente, conforme sugere o original, talvez se ausentando em uma refeição do dia, em duas no outro, e finalmente excluindo-se inteiramente.
O exemplo de Pedro influenciava os outros. O verbo influenciava dissimularam (disfarçavam), geralmente traduzido para hipocrisia, significa uma falta de correspondência entre os atos externos ou o comportamento e o estado do coração.
No farisaísmo os atos externos eram bons, mas o estado do coração era geralmente corrupto. No caso de Pedro, suas convicções internas eram perfeitas, pois ele endossava a igualdade dos judeus na Igreja, mas sua conduta não correspondia as suas convicções. Eis aqui uma observação melancólica – ao ponto de o próprio Barnabé, como se Paulo esperasse mais dele do que dos outros crentes judeus.                      
Cefas (Pedro), que tinha experimentado a liberdade que há em Cristo depois da visão de Atos 10.10-35, começou a comer com os gentios em Antioquia. Quando vieram os judaizantes de Jerusalém, Pedro, hipocritamente deixou de seguir o principio dado pelo próprio Deus. Será que devemos aceitar este apostolo mais do que qualquer outro com infalível?!sendo, como afirmam alguns, o primeiro papa?

Onde quero chegar?

Vez por outra sou questionado sobre ser contrario a liderança e as normas e doutrina de minha denominação (Assembleia de Deus), posso ter uma opinião diferente em alguns pontos; minha idéia pode ser diferente; mas, não sou contrario a nenhuma delas.
Paulo pertencia à mesma comunidade que Pedro, nem por isso deixou de questioná-lo por sua conduta; houve repreensão, até porque ninguém é irrepreensível.
Não acredito que discordar da opinião de um colega signifique, necessariamente, estar contra ele ou reclamando da sua posição e do que já está sendo feito na organização. Entendo que a expressão de opiniões contrárias pode ajudar muito para aprimorar idéias e processos. Também pode instigar as pessoas a pensarem juntas e compartilharem informações que possibilitarão a construção coletiva do conhecimento e a aprendizagem organizacional.
Os bereianos liam, ouviam e guardavam a Palavra por isto eram bem-aventurados. Examinavam a cada dia as Escrituras e conferiam a doutrina ensinada por Paulo com as Escrituras. O verbo examinar era usado na lei pelos advogados para ver se um processo podia ou não ser sustentado por um tribunal, e assim os Bereianos examinavam as Escrituras para confirmar o que estava sendo ensinado.
A Igreja de Beréia deve ser uma referência nesta época de “Babel” teológica. Não devemos ser “céticos”, não crendo em nada, e nem “crédulos”, crendo em tudo. Devemos ter a Bíblia em nossas mãos e em nossos corações verificando tudo que chega aos nossos ouvidos para se verificar a coerência ou não com as Escrituras. 
Ser educado é uma questão de decoro, discordo de argumentos e pontos de vista, não de pessoas. Meu debate é na dimensão técnica, concreta e factual. Não gosto de extrapolar  para ofensas, ironias ou acusações porque sei que não chegará a um fim proveitoso para nenhuma das partes envolvidas.

Termino com uma fala de Martinho Lutero que diz: “Todo ensinamento contrário às Sagradas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres.”



No Calvário , a maior expressão do amor de Deus

Marcos Serafim Silva

Consultas:
www.minhacarreira.com
http://preberjamil.wordpress.com/

 Bíblia Shedd     

1 de mar de 2014

O Perdão - Segundo a neurocientista Suzana H. Houzel, da UFRJ


O perdão põe fim ao estresse causado pelo ódio crônico, que estimula hormônios de estresse e perturba o sono.


Diz a oração católica (oração do pai nosso) * que devemos perdoar a quem nos ofendeu (assim como esperamos o perdão divino às nossas ofensas, claro). De fato, a neurociência já sabe que perdoar -tanto pontualmente como por hábito- favorece o bem-estar e a saúde cardiovascular.
O perdão põe fim ao estresse causado pelo ódio crônico, que estimula a produção de hormônios de estresse, perturba o sono, aumenta o risco cardiovascular e de depressão e ansiedade.
O que acontece no cérebro que perdoa? Um estudo italiano recrutou voluntários para seguir um roteiro que os orientava a imaginar situações de ofensas pessoais, e em seguida os instruía a perdoar o inimigo imaginário ou, ao contrário, os incitava a planejar vingança. Tudo isso acontecia dentro de um aparelho de ressonância magnética, que permitia à equipe acompanhar as mudanças de atividade no cérebro dos voluntários enquanto eles eram perdoavam ou não.
O estudo mostrou que tanto o perdão quanto a vingança envolvem ativação nas mesmas estruturas, mas de maneiras diferentes. O perdão ocorre quando a ativação do córtex pré-frontal dorsomedial, que regula nosso comportamento emocional, é comandada por duas estruturas que nos permitem adotar o ponto de vista do agressor e reavaliar o estado emocional deste: o precuneus e o lobo parietal inferior, respectivamente. Isso fomenta a empatia, que coíbe ímpetos de retaliação via o córtex pré-frontal, e traz um estado emocional positivo: o alívio do perdão concedido.
Se não há perdão, o córtex pré-frontal dorsomedial também é ativado, mas sob o controle do giro temporal medial, e não do precuneus e do parietal inferior (que também estão ativos, mas ocupados em julgar o agressor um vilão).
O giro temporal medial representa a intenção alheia - nesse caso, de nos fazer mal. Como a agressão foi intencional e não temos empatia com o vilão, o cérebro faz o que é mais sensato: odeia ativamente quem o insultou, sem perdão.
Perdoar, portanto, não depende dos fatos, e sim da nossa avaliação -consciente- da intenção e das emoções de quem nos ofendeu. Quer perdoar? Coloque-se no lugar do outro. Não quer perdoar? Recuse-se a ver o insulto pelos olhos do seu agressor-o que, francamente, em alguns casos é a coisa sensata a fazer.
O perdão católico universal não nos mantém a salvo de quem não presta. Ruminar o ódio faz mal, mas ainda há saída: banir o infrator da sua vida e mente. Quando não há perdão, a distância ajuda.

(*) o grifo é meu


SUZANA HERCULANO-HOUZEL é neurocientista, professora da UFRJ e apresentadora do programa Cerebrando (cerebrando.net)